A citricultura é um dos setores mais relevantes da fruticultura a nível mundial, tendo representado, em média, 17,7% do valor total da produção mundial de frutos entre 2019 e 2023 (FAO, 2025). Todavia, o setor enfrenta sérios desafios fitossanitários que colocam em risco a sua viabilidade. Entre estes, destaca-se o HuangLongBing (HLB), uma doença bacteriana devastadora para as plantas cítricas.
Os agentes causais desta doença são bactérias do género Candidatus Liberibacter, mais concretamente três espécies: Ca. Liberibacter asiaticus, Ca. Liberibacter americanus e Ca. Liberibacter africanus (Bové, 2006). Estas bactérias possuem a capacidade de colonizar o floema, o que interfere no transporte de nutrientes. Entre os sintomas que causam nos citrinos, destaca-se o amarelecimento dos ramos (Figura 1A), que deu origem ao nome da doença Huanglongbing. Em mandarim, Huanglongbing significa “doença do dragão amarelo”. Outro sintoma característico é o atraso na mudança de cor dos frutos, que permanecem com coloração verde por mais tempo (Figura 1B), o que afeta a sua comercialização. Por conseguinte, esta doença é também denominada “greening” dos citrinos. Adicionalmente, a clorose assimétrica nas folhas (Figura 1C) e a deformação dos frutos (Figura 1D) são sintomas reveladores desta doença que contribui para elevadas perdas de produção (Bové, 2006, 2012).
Figura 1. Huanglongbing: sintomas da doença e características dos seus vetores. A: Árvore com ramos amarelados; B: Atraso e inversão da coloração do fruto; C: Clorose assimétrica das folhas; D: Deformação dos frutos e sementes abortadas; E: Adulto de Trioza erytreae; F: Ninfas de T. erytreae na página inferior da folha; G: Galhas na página superior da folha, causadas por ninfas de T. erytreae; H: Adulto de Diaphorina citri; I: Ninfas de D. citri com melada característica. Fotos A: Joseph Bové; B, C e D: Amílcar Duarte; E: José Alberto Pereira; F e G: Tomás Magalhães, H e I: Fundecitrus
Esta doença é transmitida por psilídeos, nomeadamente Trioza erytreae, cujas ninfas provocam deformações das folhas sob a forma de galhas (Figura 1E, F e G) e Diaphorina citri, cujas ninfas produzem uma melada característica, em forma de fios brancos (Figura 1 H e I). Deste modo, a gestão da doença assenta essencialmente na eliminação das vias de propagação, nomeadamente através da erradicação das plantas infetadas e do controlo dos vetores (Pérez-Hedo et al., 2025). O controlo dos vetores é fundamental, como demonstrado pelo caso da Flórida (EUA), onde a presença de D. citri foi detetada em 1998 e, devido à ausência de um controlo eficaz, acabou por se distribuir amplamente pelo território.
Em 2005, aquando da primeira identificação da bactéria do HLB no estado, a doença disseminou-se de forma expedita, resultando numa drástica redução de 74% na produção (Singerman and Rogers, 2020). Até à data não foi identificado qualquer caso de HLB no continente europeu. Contudo, os seus vetores estão presentes na bacia mediterrânica, T. erytreae identificada na Península Ibérica em 2014, e D. citri em Chipre e em Israel, em 2022 e 2021, respetivamente (Pérez-Hedo et al., 2025). A presença destes vetores na bacia mediterrânica suscita preocupações entre os citricultores, exigindo novas estratégias de proteção.
Em Portugal, T. erytreae esteve presente ao longo da costa oeste, de norte a sul (Figura 2).
Para controlar esta praga, a Direção Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), com o apoio de outras entidades portuguesas e espanholas, promoveu largadas de Tamarixia dryi, um parasitoide específico de T. erytreae que deposita ovos nas ninfas do psilídeo, provocando a sua morte (…).
→ Leia o artigo completo publicado na Revista Voz do Campo (edição de janeiro 2026).
Autoria: Tomás Magalhães1,2, Beatriz Duarte1, Luís Neto1, José A. Pereira2, Natália Marques1, Amílcar Duarte1
1 MED – Instituto Mediterrâneo para a Agricultura, Ambiente e Desenvolvimento, Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade do Algarve, Campus de Gambelas, 8005-139 Faro, Portugal.
2 CIMO Centro de Investigação de Montanha, Instituto Politécnico de Bragança, Campus Santa Apolónia, 5300-253 Bragança, Portugal