Últimas
×

Do Clima à produção: Hubel aposta em tecnologia para proteger as culturas

Do Clima à produção: Hubel aposta em tecnologia para proteger as culturas

O Centro Agrotech do Fundão foi o palco do Dia Aberto do Grupo Hubel, que reuniu em março especialistas e agricultores para apresentar soluções tecnológicas inovadoras no combate às adversidades climáticas. Durante o evento, foram apresentados equipamentos como ventiladores antigeada, nebulizadores eletrostáticos e drones, tecnologias que ajudam a minimizar perdas e aumentar a produtividade agrícola.

O setor agrícola enfrenta desafios crescentes devido às mudanças climáticas e à necessidade de modernização. Na Cova da Beira, uma das principais regiões produtoras de frutas de caroço, o Grupo Hubel organizou este evento com o objetivo de demonstrar como a tecnologia pode otimizar a produção e proteger as colheitas. O programa incluiu uma palestra sobre: “Do Clima à Produção: Como Interpretar, Antecipar e Mitigar os Desafios Climáticos”, além da apresentação de soluções tecnológicas inovadoras da Hubel, como ventiladores anti geada, nebulizadores pneumáticos de baixo volume com carga eletrostática, drones para monitorização e aplicação de produtos, e canhões anti granizo. Durante o evento, Tiago Andrade, CEO do Grupo Hubel, partilhou à Voz do Campo a visão da empresa para o setor agrícola, destacando a importância da inovação tecnológica adaptada às necessidades da região Norte de Portugal. Segundo Tiago Andrade, a Hubel tem investido na região devido ao seu “grande potencial agrícola” e tem colaborado com a Câmara Municipal do Fundão e o Centro Agrotech Fundão, com quem partilham valores alinhados. “Entendemos que o Centro Agrotech e a Câmara do Fundão são parceiros ideais para difundirmos algumas das práticas que defendemos”, afirma o CEO.

Tiago Andrade também refletiu sobre a evolução da agricultura e o impacto da inovação no setor. Apesar de os dados do INE indicarem um setor agrícola envelhecido, destaca que “há uma crescente aceitação da inovação e da tecnologia”. O CEO reforça ainda que a adoção de novas tecnologias é fundamental para os agricultores, especialmente num contexto de mudanças climáticas e novas exigências regulatórias.

Por sua vez, Filipe Conceição, diretor executivo da Hubel Engenharia, sublinha o compromisso da Hubel em trazer soluções inovadoras para o mercado agrícola. A empresa tem sido pioneira na aplicação de tecnologias avançadas, com um foco particular na rega e gestão da água.

“Desde cedo começámos a importar as melhores soluções que vinham das tecnologias israelitas e holandesas para o mercado português”, afirma Filipe Conceição, explicando que 14 Tiago Andrade, CEO do Grupo Hubel a empresa tem investido continuamente em inovações para apoiar a agricultura nacional. Um exemplo disso é a tecnologia dos ventiladores antigeada, que embora conhecida mundialmente há 30 anos, ainda é uma novidade em Portugal.

“Esta tecnologia não gasta absolutamente água nenhuma”, destaca Filipe Conceição, ressaltando a eficiência e sustenta bilidade da solução. As torres utilizam um princípio simples de inversão térmica para evitar a formação de geada, o que as torna uma solução ideal para os agricultores.

A adesão dos agricultores a esta tecnologia tem sido positiva, com a solução a ser disseminada por meio do “passa-palavra”.

“Quem experimenta tem grandes sucessos (…) é normal um agricultor começar no seu pior campo e transformá-lo no seu melhor campo”, realça Filipe Conceição sobre a experiência de quem já utilizou a tecnologia. Outro destaque do evento foram os canhões anti granizo, que utilizam ondas sónicas para destruir as esferas de granizo, tornando-as inócuas. Esta solução é mais uma das inovações que a Hubel trouxe para o mercado português, como explica o diretor executivo da Hubel Engenharia: “Eles literalmente provocam uma onda sónica no ar a cada sete segundos, sempre que há condições de granizo”

Berto Correia, coordenador comercial para o Centro – Norte da Hubel Verde

O coordenador comercial para o Centro – Norte da Hubel Verde, Berto Correia, salienta também a importância de integrar soluções tecnológicas que vão além dos produtos tradicionais.

“Hoje, as empresas que vendem fatores de produção estão muito agarradas a produtos tradicionais, como assessorias e visitas de campo. Nós, dentro da Hubel, temos o privilégio de integrar, no Grupo, a empresa Hubel Engenharia, o que nos permite combinar presença e operação com o poder das tecnologias”, realça Berto Correia. Este foco tecnológico tem sido fundamental para lidar com as adversidades climáticas que afetam a produção agrícola, como as geadas tardias e granizos, que podem causar prejuízos significativos. Como Berto Correia diz, “os agricultores já sofrem na pele com essas mudanças climáticas, e é aí que as tecnologias da Hubel se tornam essenciais”. No que diz respeito à adesão a essas novas tecnologias, Berto Correia observa que as mudanças não acontecem de forma uniforme. “No Norte, a estratégia da Hubel é bem segmentada, pois estamos a lidar com diferentes culturas, como maçã, vinha e kiwis. As soluções tecnológicas apresentadas na Cova da Beira podem também ser aplicadas a essas outras culturas, o que demonstra a versatilidade da nossa abordagem”. A Hubel, no entanto, não se limita apenas à venda de produtos e tecnologias. A empresa aposta fortemente em serviços de consultoria e assessoria, oferecendo análise de seiva, aplicação de produtos nutricionais e utilização de plataformas digitais para otimizar o processo agrícola.

Coube a Teresa Freitas, investigadora no Laboratório de Climatologia Aplicada da UTAD, apresentar o tema: “Do Clima à produção: Como Interpretar, antecipar e Mitigar os Desafios climáticos”, onde destacou a importância da ciência para entender e enfrentar os desafios climáticos que afetam a agricultura.

“A ciência está presente, e no Laboratório de Climatologia Aplicada da UTAD, nós fazemos um conjunto de estudos, muitos deles direcionados a diversas espécies, como o olival, o castanheiro e a vinha”. A pesquisa visa analisar o impacto do clima atual e futuro nas diferentes culturas, a fim de ajudar os produtores a tomar decisões informadas e a implementar medidas de adaptação. “A nossa ciência baseia-se muito em simulações, na avaliação e nas projeções tendo em conta a emissão de CO2”, afirma Teresa Freitas, detalhando como as ferramentas de programação ajudam a calcular os momentos críticos dos estados fenológicos das plantas e da produção. Sobre os impactos do clima em Portugal, Teresa Freitas sublinha uma tendência clara: “Há um claro aumento das temperaturas, temperaturas máximas, mínimas e, claramente, uma redução da precipitação”. No entanto, a investigadora refere que os efeitos variam consoante as espécies, destacando a importância de compreender as necessidades específicas de cada planta. “É muito importante perceber a espécie para, depois, perceber como é que o clima vai interferir com esta espécie”, explica a investigadora.

 

 

Partilhar: