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III Semana da Agricultura da UTAD reforça o papel das ciências agrárias

III Semana da Agricultura da UTAD  reforça o papel das ciências agrárias

A III Semana da Agricultura da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) realizou-se entre os dias 22 e 27 de março, consolidando-se como um dos mais importantes eventos do setor agrícola universitário. Durante seis dias, Vila Real foi o centro do debate sobre os desafios e oportunidades da agricultura moderna, reunindo profissionais, estudantes e empresas.

O evento contou com duas vertentes distintas e complementares. O fim de semana cultural, nos dias 22 e 23 de março, celebrou a tradição e identidade agrícola através de atividades recreativas e culturais. Já a semana pedagógica, de 24 a 27 de março, trouxe uma programação intensa com workshops, palestras e mesas-redondas conduzidas por especialistas, abordando temas cruciais como a digitalização no setor agrícola, sustentabilidade e novos desafios do mercado. A par disso, outro dos destaques da Semana da Agricultura da UTAD foi a grande exposição de maquinaria agrícola e empresas do setor, proporcionando um espaço para conhecer as mais recentes inovações tecnológicas aplicadas à agricultura. A organização esteve a cargo do Núcleo de Estudantes de Engenharia Agronómica (NEAGRO), do Núcleo de Estudantes de Enologia (NENOL), do Núcleo de Estudantes de Zoo técnica (NEEZ) e da Associação de Estudantes de Medicina Veterinária da UTAD (AEMV), com o apoio do Departamento de Agronomia (DAGRO), do Departamento de Zootecnia e da Associação Académica da UTAD (AAUTAD).

Eduardo Araújo, presidente do Núcleo de Estudantes de Engenharia Agronómica (NEAGRO), sublinha a importância da colaboração entre cursos e o foco em temas essenciais para a evolução da agricultura.

“Este ano, à semelhança do ano passado, tivemos quatro dias pedagógicos. Quatro cursos a trabalhar em conjunto: começamos com Medicina Veterinária, depois Engenharia Zootécnica, seguindo-se Agronomia e, por fim, Enologia. É este espírito, esta vontade de trabalhar e de mostrar que as Ciências Agrárias e a nossa Escola querem estar presentes e apoiar os alunos”, detalha Eduardo Araújo. A aproximação dos estudantes com o mercado de trabalho é um dos grandes objetivos do evento. “Temos de ajudar os nossos alunos. Estamos a perceber que cada vez mais temos uma geração que pouco comunica (…). Então, temos de trazê-los, pô-los no seu habitat natural e trazer as empresas para cá, para criarmos essa ligação e conseguirmos que todos cheguem a algum lado”, considera ainda.

Este ano, a organização tentou abrir o evento à comunidade, com iniciativas como um showcooking e diz Eduardo Araújo: “Não tivemos o sucesso que esperávamos em termos de adesão geral, mas foi gratificante ver que a comunidade se envolveu e participou ativamente em algumas atividades”.

O que dizem os Alunos:

“QUERO SEGUIR ESTE SETOR PORQUE TENHO MUITA PAIXÃO PELA AGRICULTURA”

Leandro Marinho, estudante de Engenharia Agronómica

A exposição de máquinas e equipamentos agrícolas foi um dos grandes atrativos do evento, mostrando as mais recentes inovações tecnológicas. Para Leandro Marinho, estudante de Engenharia Agronómica, essa evolução tem um impacto direto no interesse nas novas gerações pela agricultura. “Os jovens que se dedicam à agricultura olham muito para a parte da mecanização, porque, basicamente, é ela que faz o trabalho mais pesado”. No entanto, reforça que a paixão pelo setor vai além da tecnologia. “Quem tem paixão segue na mesma pelo setor agrícola, haja mecanização ou não”. Leandro Marinho, partilha que a ligação com a agricultura é algo que vem de família, um fator determinante na sua escolha profissional. “No meu caso, quero seguir este setor porque tenho muita paixão pela agricultura, graças aos meus avós e aos meus pais. Também adoro a mecanização, gosto de tudo no geral”, vinca o estudante.

“HOJE EM DIA CADA VEZ MAIS HÁ MECÂNICA NOS CAMPOS”

Manuel Vilares, aluno e membro da organização da III Semana da Agricultura da UTAD

Manuel Vilares, aluno e também membro da organização da III Semana da Agricultura da UTAD, comentou à nossa reportagem sobre o atual estado da mecanização no setor agrícola e a importância da integração dos estudantes nas novas tecnologias. “Hoje em dia cada vez mais há mecânica nos campos, devido também à falta de mão de obra (…). Há mais recursos, tanto de tratores como alfaias também devido à rapidez com que é feito”, considera. Para Manuel Vilares o futuro da agricultura está nas mãos dos estudantes. “Nós é que somos o futuro, não é? Nós estudantes somos o futuro daqui para amanhã”, enfatiza funda mentando a importância de estabelecer uma relação próxima com as empresas para aproveitar as oportunidades de integração nas inovações do setor.

“ESTE EVENTO É UMA EXCELENTE OPORTUNIDADE PARA “ABRIR AS PORTAS DA UNIVERSIDADE AO MUNDO EMPRESARIAL”

Fernando Gonçalves, presidente da Associação Académica da UTAD

Fernando Gonçalves, presidente da Associação Académica da UTAD, salienta a importância do evento para fortalecer a ligação entre a academia e o setor empresa rial. Para Fernando Gonçalves, este evento é uma excelente oportunidade para “abrir as portas da Universidade ao mundo empresarial”, permitindo que antigos alunos retornem à UTAD para partilhar a sua experiência e conhecimento com os atuais estudantes, que serão os futuros profissionais do setor agrícola. O presidente da Associação Académica da UTAD também realçou à Voz do Campo o desafio da atratividade das Ciências Agrárias, reconhecendo que, infelizmente, essa área ainda não é vista como atraente por muitos jovens. No entanto, destaca os esforços da Universidade em melhorar infraestruturas, como a requalificação das estufas e vacarias, para oferecer melhores condições aos alunos. Embora o percurso académico seja essencial, ele sublinha que a “pesquisa e busca por conhecimento” devem continuar após a formação, dado que o setor agrícola está em constante evolução. Fernando Gonçalves defende ainda que academia deve estar em sintonia com o setor, promovendo a inovação e a prática no mercado. O presidente da Associação Académica conclui reforçando a missão da Associação Académica de estreitar laços com o setor empresarial para apoiar os alunos, destacando que a “inovação e investigação” desenvolvi das na universidade só têm valor quando aplicadas na prática.

“É COM MUITO GOSTO TAMBÉM QUE ASSISTO QUE ISTO CONTINUA A EVOLUIR”

Nuno Lopes, ex-presidente do Núcleo de Estudantes de Engenharia Agronómica da UTAD

Nuno Lopes, ex-presidente do Núcleo de Estudantes de Engenharia Agronómica da UTAD e atualmente a concluir o seu mestrado, sublinha à nossa entrevista a importância da continuidade deste tipo de iniciativas. “É com muito gosto também que assisto que isto continua a evoluir”, afirma, destacando o impacto positivo que os eventos têm na formação dos estudantes ao longo do ano letivo. Quase a terminar a sua formação, Nuno Lopes revela-nos o interesse por áreas ligadas à “parte do bio”, por se tratar de um campo com o qual sempre teve afinidade. Demonstrou também vontade de atuar na consultoria agrícola, uma área que considera “muito satisfatória” por permitir apoiar produtores e, ao mesmo tempo, “ajudar a agronomia a crescer”. Nuno Lopes partilha ainda as preocupações frequentes entre os colegas, especialmente na escolha do ramo dentro da agronomia que é vasta. No entanto, acredita que há um desejo comum: ter uma exploração agrícola própria. “Quase 90% ou quase 100% de todos os agrónomos têm essa preocupação ou essa vontade”, conclui.

O que dizem os Professores:

Ana Paula Silva, professora de Fruticultura na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), sublinha a importância da ligação entre os estudantes e o setor agrícola, salientando a sensibilidade e proximidade dos alunos com esta área.

“Os nossos alunos já vêm muito do meio agrário, seja por influência familiar ou por gosto pessoal. O objetivo é que possam regressar e contribuir ativamente para esse meio”, afirma. A docente esclarece ainda como a fruticultura tem evoluído nos últimos anos, especialmente com a crescente incorporação de tecnologia digital. “Estamos a caminhar para uma fruticultura cada vez mais digital, o que nos obriga a uma atualização constante”, afirma. Apesar disso, reforça que o seu principal objetivo continua a ser transmitir aos alunos o gosto pela disciplina: “Se eu conseguir transmitir-lhes o meu gosto pela fruticultura, já é um bom começo, porque isso leva-os a procurar mais informação (…) porque estas ciências nunca são estanques”. Quanto às culturas com maior potencial atualmente, Ana Paula refere o crescimento significativo dos pequenos frutos e da amendoeira, impulsionado pelo avanço tecnológico no setor. “A amendoeira e os frutos secos têm sido alvo de grandes investimentos, não só no Alentejo, mas também no Norte do país”, comenta. Por fim, lamenta a ausência de programas estatais de apoio à valorização das variedades autóctones. “É uma pena que não existam programas estatais dedicados à recuperação das variedades autóctones. Estas são fundamentais, sobretudo num contexto de alterações climáticas, pela sua adaptação ao território e resiliência”, defende a professora.

Alfredo Aires, docente do curso de Agronomia na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), à nossa reportagem enfatiza a relevância da Semana da Agricultura, sublinhando o envolvimento ativo dos estudantes na organização do evento e o seu contacto direto com o setor agrícola.

Alfredo Aires, UTAD

“Este evento é muito importante porque permite que os alunos se envolvam na organização e tenham contacto com empresas e investigadores, aproximando-os da realidade do mercado de trabalho”, afirma. O professor reafirma ainda o papel essencial dos cursos de Agronomia na sociedade atual, frisando a importância da produção de alimentos. “Ensinamos a produzir bens alimentares, porque a agricultura é fundamental para o nosso dia a dia. Não podemos viver sem comida, e os cursos agrários são absolutamente essenciais”, diz, argumentando ao mesmo tempo que: “A agricultura não é devidamente valorizada do ponto de vista económico, o que contribui para uma perceção errada da profissão. Ser agrónomo vai muito além da agricultura no sen tido tradicional (…). Hoje em dia, temos de produzir com qualidade, conhecimento técnico e consciência ambiental, para que a agricultura seja reconhecida como aliada, e não inimiga, do ambiente”.

“O conhecimento deve ser transmitido e não ficar dentro de quatro paredes”

Lúcia Gonçalves, Escola Profissional Agrícola Engenheiro Silva Nunes

Lúcia Gonçalves, docente da Escola Profissional Agrícola Engenheiro Silva Nunes, partilha a sua visão sobre a importância de eventos como a Semana da Agricultura da UTAD e a interação entre as escolas profissionais agrícolas e as universidades. “Estou a acompanhar aqui a Semana da Agricultura, porque considero importantes estes eventos”, regista. A professora sublinha a relevância dos temas abordados, especialmente as inovações tecnológicas no setor leiteiro e outros tópicos pertinentes para a formação dos alunos. A interação entre as escolas profissionais agrícolas e as universidades é um ponto crucial para a docente e relembra o “recente protocolo assinado durante o último Congresso Nacional do Milho, onde vamos fazer trabalhos em parceria” e termina: “Considero importante trazer os nossos alunos (…) o conhecimento deve ser transmitido e não ficar dentro de quatro paredes”.

O que dizem os Oradores:

“É ESSENCIAL QUE OS JOVENS VEJAM A AGRICULTURA E A PRODUÇÃO ANIMAL SOB UMA NOVA ÓTICA, COM FOCO EM PRECISÃO E INOVAÇÃO”

Rui Alves, Nutrição 360 - ZOOPAN

Durante a III Semana da Agricultura da UTAD, Rui Alves, da Nutrição 360 - ZOO PAN, foi um dos muitos oradores e abordou o tema da nutrição de precisão, destacando as inovações tecno lógicas que estão a transformar o setor primário. Para Rui Alves, é essencial que os jovens vejam a agricultura e a produção animal sob uma nova ótica, com foco em precisão e inovação. “Apesar de trabalharmos e o futuro deles ser no setor primário, podemos transformar o setor primário num setor inovador, em que cada vez mais a tendência é trabalharmos com precisão, trabalhar com novas tecnologias, trabalhar com uma série de ferramentas que estão à nossa disposição, incluindo a inteligência artificial, para potenciar os resultados das explorações”, afirma.”

Rui Alves explica que a nutrição de precisão é fundamental para melhorar os resultados das explorações, garantindo a saúde animal e um menor impacto ambiental. “A nutrição de precisão passa por tudo, passa primeiro por conhecer as necessidades e as reais necessidades em função da espécie, da tipologia de produção e das características dos alimentos usados”, considera. Além das competências técnicas, Rui Alves acredita que as universidades devem formar profissionais com habilidades interpessoais e de personalidade. “Acho que mais do que as competências técnicas e científicas, as universidades devem formar as pessoas com competências pessoais e de personalidade”.

“A PECUÁRIA DE PRECISÃO E AS NOVAS TECNOLOGIAS TÊM O PODER DE REVOLUCIONAR A PRODUÇÃO ANIMAL COMO A CONHECEMOS”

Pedro Santos Vaz, Angus Portuga

Pedro Santos Vaz, secretário-geral da Angus Portugal, durante a III Semana da Agricultura da UTAD, abordou a importância da pecuária de precisão na gestão dos livros genealógicos, com ênfase nos testes de eficiência alimentar. Durante a sua intervenção, destacou como as novas tecnologias têm o potencial de transformar a produção animal, tornando-a mais eficiente e sustentável. “A pecuária de precisão e as novas tecnologias têm o poder de revolucionar a produção animal como a conhecemos”, explica Pedro Santos Vaz, sublinhando o impacto positivo das ferramentas tecnológicas no setor. Pedro Santos Vaz recorda à nossa reportagem que a raça Angus chegou a Portugal no início deste século e, desde então, tem visto um crescimento significativo com 13 mil animais registados no livro genealógico no final do ano passado, 330 criadores, 75 dos quais produtores espanhóis. O secretário-geral da Angus Portugal também ressalta a importância da monitorização no processo de produção, especial mente para as pequenas explorações. “Essas ferramentas facilitam a vida do produtor, permitindo-lhe monitorizar a saúde e o comportamento dos animais em tempo real através do telemóvel”, diz. O uso de tecnologias como câmaras e alertas via smartphone auxilia na gestão de doenças, nascimentos e outros aspetos críticos da produção animal, assegurando não apenas eficiência, mas também o bem-estar animal. Além disso, Pedro Santos Vaz sublinha a necessidade urgente de atrair jovens para o setor agrícola, destacando as oportunidades que a produção animal e a zootecnia oferecem. “Precisamos cativar os jovens para o setor agrícola, mostrando-lhes que a zootecnia não é apenas um trabalho de campo, mas uma profissão moderna, tecnológica e cheia de oportunidades”, conclui.

GENÓMICA AO SERVIÇO DA ZOOTECNIA DE PRECISÃO

António Marcos Ramos, Star Genomics

António Marcos Ramos, da Star Genomics, partilhou aos estudantes o impacto transformador da genómica na zootecnia de precisão. Durante a sua apresentação, evidenciou como a análise genética e o estudo do DNA são fundamentais para otimizar a produção animal e garantir maior eficiência nas explorações. “A genómica desempenha um papel crucial, permitindo a identificação rápida de animais com elevado potencial produtivo”, afirma António Marcos Ramos à Voz do Campo. Para além disso, o especialista explica que a sua empresa utiliza ferramentas genómicas avança das para estudar a arquitetura genética dos animais, identificando aqueles com maior capacidade para determinados desempenhos. “Por meio de análises genéticas, conseguimos detetar perfis genéticos favoráveis, acelerando os processos de seleção”, partilha. António Marcos Ramos também destaca a importância da colaboração entre empresas científicas e as associações de criadores. “Trabalhamos em conjunto com associações que recolhem amostras de material biológico, dados fenotípicos e nós, enquanto empresa, acrescentamos a nossa competência a nível da genómica e desenvolver ferramentas que favoreçam o melhoramento genético”, clarifica.

A IMPORTÂNCIA DO USO SUSTENTÁVEL DA ÁGUA DE REGA

Leonor Chichorro, BioCity Agrícola

Leonor Chichorro, da BioCity Agrícola, falou sobre o uso sustentável da água de rega. Leonor Chichorro sublinha dois aspetos essenciais: a manutenção dos sistemas de rega e o uso de equipa mentos adequados para monitorização e gestão da água. Para a representante da BioCity Agrícola, é crucial integrar tecnologia com sistemas de rega, pois “não adianta ter muita tecnologia se o sistema não funcionar bem”. Leonor Chichorro também aborda a automação, exemplificando como sensores podem ativar sis temas de rega automaticamente, facilitando a gestão da água. Leonor Chichorro destaca ainda a evolução das tecnologias, como a inteligência artificial e modelos de previsão, que ajudam os agricultores a tomar decisões mais informadas. Saliente-se que a BioCity Agrícola foca-se na eficiência no uso da água, oferecendo apoio desde o projeto de rega, manutenção e apoio técnico, até auditorias, por exemplo, para obter a certificação Spring, no fundo diz Leonor Chichorro “ajudar o produtor a cumprir os determinados requisitos daquilo que é a certificação”.

O PAPEL FUNDAMENTAL DA DIGITALIZAÇÃO PARA O FUTURO DA AGRICULTURA

Jorge Neves, ISAGR

Na sua intervenção durante a III Semana da Agricultura da UTAD, Jorge Neves, da ISAGRI, transmitiu aos alunos o papel fundamental da digitalização para o futuro da agricultura. Com mais de 35 anos de experiência no setor e presença em Portugal desde 1992, a ISAGRI tem acompanhado de perto esta evolução tecnológica no mundo agrícola. Jorge Neves salienta que cada vez mais agricultores aderem às ferramentas digitais, reconhecendo o seu valor na melhoria da gestão técnica e económica das explorações. A digitalização, explica, “permite o acesso a informações relevantes para a tomada de decisões diárias e facilita o cumprimento de exigências legais e administrativas, como os cadernos de campo e certificações”. Para Jorge Neves, a digitalização começa com o registo organizado das atividades agrícolas, criando uma base sólida de dados que permite avaliar o desempenho. A partir daí, entram as tecnologias complementares como estações meteorológicas, sondas, drones e sistemas de apoio à decisão, que ajudam a melhorar a eficácia no terreno. “O cerne está em ter o controlo mais eficaz possível de todas as atividades”, afirma. Por fim, sublinha ainda o impacto das tecnologias emergentes, como satélites e inteligência artificial, que permitem prever condições e antecipar problemas. Apesar dos progressos, Jorge Neves acredita que há ainda muito espaço para crescer na digitalização agrícola, tanto em Portugal como nos restantes países europeus onde a ISAGRI está presente.

Os Expositores:

AS MINIATURAS DA FAZENDA DE ANIMAIS

Rafael Campos, Fazenda de Animais

Rafael Campos, aluno de Engenharia Zoo técnica da UTAD e colaborador da Fazenda de Animais, diz que a empresa está mais uma vez presente na Semana da Agricultura da UTAD com o objetivo de divulgar o trabalho da empresa. “Temos tentado trazer um bocadinho a Fazenda e mostrar o nosso trabalho aos alunos, aos professores, tentar ampliar o nosso público-alvo”, partilha. Durante a Semana da Agricultura da UTAD, a Fazenda de Ani mais expôs diversos animais, com destaque para as ovelhas e cabras-anãs, oferecendo uma experiência diferenciada em termos de maneio. “Grande parte dos animais que temos são miniaturas. É engraçado, é diferente, mais fácil de trabalhar em termos de maneio”. A Fazenda de Animais promove eventos criativos, como recriações medievais, atendendo a clientes que procuram experiências únicas. “Nós vamos acrescentar aos eventos, por exemplo, nos eventos medievais, onde interagimos com o público, e oferecemos experiências que as pessoas não estão à espera”, diz Rafael Campos.

PULVERIZADORES ROCHA APRESENTA EQUIPAMENTOS ADAPTADOS ÀS PARTICULARIDADES DA REGIÃO DO DOURO

Miguel Martins, Pulverizadores Rocha

Miguel Martins, técnico comercial da Pulverizadores Rocha, apresentou à nossa reportagem um dos equipamentos mais utilizados na viticultura, especialmente adaptado às particularidades da região do Douro. “Estamos aqui com este pulverizador de turbina, muito utilizado na área da viticultura, especialmente nas linhas baixas da zona do Douro”, afirma Miguel Martins. A turbina é cuidadosamente projetada para se ajustar à altura das vinhas, garantindo precisão e economia durante o tratamento das culturas. Miguel Martins, destaca o sistema WAATIC— uma ferramenta tecnológica que permite a gestão do funcionamento das máquinas agrícolas de forma remota e inteligente. “O sistema WAATIC permiti a gestão do funcionamento da máquina e, ao mesmo tempo, trabalhar via cloud, onde os técnicos de quinta poderão fazer o preparado do trabalho para depois os operadores trabalharem”, explica. Miguel Martins reforça a importância da aproximação entre a indústria e a academia, destacando a relevância de eventos como a Semana da Agricultura da UTAD para fomentar o desenvolvimento do setor. “É uma das nossas formas de trabalho, da nossa metodologia, estarmos sempre abeirados da academia. O futuro da agricultura são os nossos jovens que estão a estudar neste momento”, sublinha.

AS BOTAS DIKAMAR

Eduardo Vieira, Dikamar

A Dikamar marcou a sua presença na Semana da Agricultura da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), sublinhando a importância da aproximação aos estudantes que em breve irão ingressar no mercado de trabalho. Eduardo Vieira, responsável de marketing da empresa, explica o significado da participação da Dikamar neste evento: “Esta é a nossa primeira pre sença aqui na Semana da Agricultura, mas a interação com estudantes e universitários é muito importante para nós, pois são os futuros profissionais da área”. A empresa, especializada em diversos produtos, especialmente botas direcionadas a cursos como a Zootecnia e Medicina Vete rinária, aproveitou a oportunidade para apresentar a qualidade dos seus produtos. Eduardo Vieira menciona as vantagens das botas Dikamar, que se caracterizam por serem “impermeáveis, confortáveis, com biqueira de segurança e palmilha anti-perfuração, ideais para as pisadas de animais, por exemplo”. O responsável também explicou que, apesar de um preço ligeiramente mais elevado devido ao uso de poliuretano, as botas oferecem maior durabilidade e conforto, sendo uma alternativa de qualidade superior às botas clássicas mais baratas. “O consumidor não se importa de pagar um pouco mais por um produto que dure mais e ofereça maior conforto”, afirma. Refira-se que a Dikamar tem uma forte presença no mercado internacional, com cerca de 80% da sua produção destinada ao exterior. “Temos o mercado dos Estados Uni dos, onde possuímos uma fábrica própria, e também atua mos na Europa e Ásia”.

O TRATOR VINHATEIRO DA ALFREDO PINTO E FILHOS

André Pinto, Alfredo Pinto e Filhos

André Pinto, da empresa Alfredo Pinto e Filhos, fala-nos sobre a crescente importância da tecnologia no setor agrícola durante a sua participação na Semana da Agricultura da UTAD. Presente com duas marcas de tratores, incluindo o trator vinhateiro da Antonio Carraro, especialmente desenvolvido para a região do Douro, André Pinto entre as características exclusivas do modelo, menciona a “caixa automática e o posto de condução reversível, além de um raio de viragem superior ao das outras marcas”. Essas especificidades tornam o trator ideal para as vinhas, facilitando o acesso aos patamares estreitos da região do Douro. André Pinto também comenta sobre as mudanças ocorridas nos últimos anos, observando que, devido à falta de mão de obra, “o agricultor solicita mais tecnologia, para que as máquinas desempenhem funções que o homem não consegue realizar”. Para além disso, explica como a automação e a utilização de múltiplas alfaias simultaneamente têm-se tornado cada vez mais comuns no campo, “como a pulverização e a aplicação de herbicidas, tudo feito automaticamente, o que ajuda a rentabilizar o tempo e aumentar a eficiência nas operações agrícola”. Em relação ao interesse dos estudantes, André Pinto realça que os alunos da UTAD estão cada vez mais focados em “tecnologia e automação, e em como essas inovações podem ser aplicadas para ajudá-los no futuro”.

JOSÉ PINTO LDA MARCA PRESENÇA COM A STIHL

João Salvador, José Pinto Lda

Com sede em Vila Real e 45 anos de experiência, a José Pinto Lda é distribui dora premium da marca STIHL. “Fomos convidados para estar na feira por sermos distribuidores da STIHL, mas também trabalhamos com outras marcas importantes, como a Komatsu e a Atlas Copco”, partilha João Salvador, comercial da empresa durante a nossa visita ao expositor. A empresa atua em quatro áreas distintas: venda, aluguer de equipamentos, assistência técnica e logística. João Salvador menciona que as máquinas da Komatsu, como até 8 tone ladas, são bastante procuradas nas quintas do Douro. Além disso, destaca a importância da Atlas Copco para as adegas, fornecendo “compressores parafuso, geradores de azoto e redes de ar comprimido”. A José Pinto Lda também oferece soluções práticas para agricultores que precisam realizar trabalhos em altura. “Disponibilizamos máquinas para alugar, seja por um dia ou uma semana, o que facilita a vida do agricultor, permitindo-lhe realizar tarefas específicas com equipamentos pesados quando necessário”, sublinha.

O ESCULTOR DA STIHL

Óscar Rodrigues, escultor

Óscar Rodrigues, escultor, também esteve presente na Semana da Agricultura da UTAD, mostrando o seu talento artístico em parceria com a STIHL. Durante o evento, o escultor explicou-nos o processo criativo e interativo que caracteriza a sua arte, proporcionando ao público a oportunidade de assistir à transformação de pedaços de madeira em esculturas únicas. “A escultura é um processo criativo, um modo subinterativo onde retiramos a matéria e procura mos encontrar a forma que queremos representar”, afirma. Sempre alinhado com o tema do evento, o escultor procura, sempre que possível, criar obras que façam analogias à floresta, à fauna e flora, ou até mesmo representações de espécies autóctones. Embora a habilidade manual seja fundamental, Óscar Rodrigues ressalta: “A mestria é importante, mas a conjugação da ferramenta certa, no lugar certo, com a cadência certa, é o que realmente faz a diferença” e conclui: “Na STIHL, tentamos dar uma segunda vida a árvores que, por algum motivo, tiveram que ser abatidas”, ressaltando que o objetivo não é abater árvores para fazer arte, mas sim dar nova dignidade à madeira de árvores que foram derrubadas devido a doenças ou outros fatores.

AS ABELHAS DA APIBÉRICOS

Laura García, Apibéricos

A Apibéricos, liderada por Laura García e antiga aluna da UTAD, deu a conhecer a sua atividade durante a III Semana da Agricultura da UTAD. Fundada em 2011, a empresa nasceu da paixão pela apicultura e do conhecimento adquirido durante os estudos na universidade. “Somos apicultores desde 2011, saímos da UTAD e estabelecemo-nos aqui na região”, parti lha Laura García, ressaltando a importância da universidade no início da sua trajetória. “O nosso forte são as abelhas (…) somos produtores de abelhas e, claro, temos também os produtos da colmeia”, refere a apicultora. Atualmente, a Apibéricos conta com mil colmeias distribuídas por 30 pontos diferentes.

AS ERVAS DA AROMÁTICAS VIVAS

Artur Lima, Aromáticas Vivas

A Aromáticas Vivas esteve presente na III Semana da Agricultura da UTAD, com a participação de Artur Lima, responsável pelo Departamento de Marketing e Comunicação. Durante o evento, a empresa aproveitou a oportunidade para divulgar o seu trabalho com ervas aromáticas em vaso, produzidas de forma biológica. “Estamos aqui a mostrar as nossas ervas aromáticas. É interessante para nós estar aqui junto dos alunos e da comunidade estudantil”, destaca. A Aromáticas Vivas oferece uma ampla variedade de produtos, incluindo ervas cortadas, flores comestíveis e micro greens. No entanto, o grande destaque da empresa é o manjericão: “O nosso forte, aquilo que produzimos melhor e vendemos mais, é o manjericão”, realça Artur Lima. Com mais 15 anos de experiência, a Aromáticas Vivas tem como objetivo tornar a sua produção cada vez mais eficiente, procurando otimizar os seus processos por forma a dar resposta à crescente procura do mercado.

PROJETO AGRO@TECVERDE

António Carvalho e Sandra Sacoto, os rostos da UTAD do projeto Agro@TecVerde

Durante a III Semana da Agricultura da UTAD, o projeto Agro@TecVerde esteve em destaque como um exemplo de inovação e dinamização no setor agrário. Coordenado por Sandra Sacoto, docente de Zootecnia, e António Carvalho, técnico superior na UTAD, este projeto integra a Rede Integrada para a Formação e Modernização das Ciências Agrárias e tem manjericão: “O nosso forte, aquilo que produzimos melhor e vendemos mais, é o manjericão”, realça Artur Lima. Com mais 15 anos de experiência, a Aromáticas Vivas tem como objetivo tornar a sua produção cada vez mais eficiente, procurando otimizar os seus processos por forma a dar resposta à crescente procura do mercado. explica Sandra Sacoto. Através de atividades práticas de curta duração, já catalogadas, os estudantes do 11.º e 12.º anos têm a oportunidade de experimentar o dia a dia do setor agrícola de forma realista e atual. “Convém dar-lhes uma imagem mais moderna do setor agrário para que estes possam despertar algum interesse pelos nossos cursos”, acrescenta. Com apenas alguns meses de implementação, o projeto já levou cerca de 100 alunos à UTAD e conta com uma oferta de 55 atividades distintas. “Para nós é um gosto, porque muitos desses alunos acham que o percurso deles acaba ali e não acaba”, destaca Sandra Sacoto, reforçando o potencial como principal objetivo aproximar os jovens do setor agrícola. “Com este nosso projeto o que nós visamos atingir é trazer alunos das escolas secundárias e profissionais para uma melhor e mais atual imersão no setor agrário”, dos alunos do ensino profissional para prosseguirem estudos no ensino superior.

 

 

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