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16ª Edição das Jornadas Internacionais do Hospital Veterinário Muralha de Évora debate “Pecuária Inteligente” e os desafios do setor pecuário

16ª Edição das Jornadas Internacionais do Hospital Veterinário Muralha de Évora debate “Pecuária Inteligente” e os desafios do setor pecuário

N os dias 14 e 15 de março, o Hotel Vila Galé, em Évora, recebeu cerca de mil congressistas para a 16ª edição das Jornadas Internacionais do Hospital Veterinário Muralha de Évora. Ao longo de dois dias de palestras, workshops e exposições, o tema “Pecuária Inteligente” foi debatido. Criado com foco na pecuária extensiva, o Congresso visa promover a melhoria do desempenho das explorações, por meio da partilha de conhecimento entre profissionais do setor.

Nuno Prates, presidente da Comissão Organizadora das | MAI 2025 48 Jornadas Internacionais Hospital Veterinário Muralha de Évora, expressou à nossa reportagem a sua satisfação com a organização do evento deste ano, afirmando que cor respondeu às expetativas. “Tivemos as inscrições mais ou menos que estávamos à espera, o mesmo que os outros anos. Há volta de 900 inscritos”, comenta, sublinhando que, apesar de não conseguir expandir mais a iniciativa devido à falta de estrutura em Évora, o evento mantém um alto nível de inovação, mantendo a relevância do encontro com temas novos a cada edição.

A diversidade de temas é uma das características das Jornadas.

“Nas várias salas decorrem ao mesmo tempo vários temas, como ruminantes, equinos, e vários workshops interessantes. Além disso, contamos com a presença da nossa comissão científica, que também contribui para uma sala de comunicações livres, estabelecendo um elo com as universidades e a comunidade científica”, afirma Nuno Prates. Nuno Prates destaca ainda a satisfação com a mudança para o hotel Vila Galé, após muitos anos no antigo local. Ao ser questionado sobre o aumento do interesse internacional, especialmente de oradores além-fronteiras, Nuno Prates confirma que o evento atrai cada vez mais profissionais estrangeiros, sobre tudo de Espanha.

“Os nossos vizinhos espanhóis têm vindo cada vez mais, seja como oradores ou como participantes. A pecuária da Extremadura tem características semelhantes à nossa, e isso facilita a troca de experiências”, diz ainda, sublinhando ao mesmo tempo a importância de aprender com outras realidades.

O tema da edição deste ano também foi cuidadosamente escolhido, com o apoio de uma comissão consultiva. “Tivemos a preocupação de trazer temas que não se limitam à nossa área, como as aves, os porcos e o leite. Embora não estejam diretamente ligados ao nosso congresso, são áreas que contribuem para a profissionalização dos setores e para o nosso know-how”, explica. Nuno Prates admitiu que inicialmente teve receio do desafio de ampliar os temas do evento, mas agora sente que foi um desafio superado, com as informações recebidas provando que o evento está no caminho certo.

A pecuária extensiva continua a ser um dos focos principais das Jornadas. “A pecuária extensiva é a base do nosso Congresso. Estamos dirigidos principalmente para os produtores, mas também recebe mos técnicos que acompanham essas explorações. O objetivo é passar informação prática que os produtores possam aplicar no dia a dia das suas explorações, melhorando o seu desempenho”, vinca.

Nuno Prates frisa também a importância de comunicar de forma eficaz com a sociedade sobre a relevância da pecuária extensiva. “Nós, que estamos debaixo do montado, que trabalhamos na conservação da natureza, na fixação de carbono, temos um papel essencial que muitas vezes não é devida mente valorizado. A mensagem que passa para a sociedade muitas vezes não é correta, e precisamos de uma interclasse que possa falar por nós e transmitir uma mensagem real e cientificamente apoiada”, sublinha. Por fim, o presidente da Comissão Organizadora das Jorna das partilha: “As Jornadas começaram como uma brincadeira há 16 anos (…) mas hoje sou grato à minha equipa que tem estado comigo durante todo este tempo. Somos mais dedica dos à veterinária, mas este evento tem-se tornado cada vez mais relevante para nós”.

O evento organizado pelo Hospital Veterinário Muralha de Évora tem uma importância vital para o setor zootécnico, salienta o Bastonário da Ordem dos Médicos Veterinários (OMV), Pedro Fabrica.

Pedro Fabrica, Bastonário da Ordem dos Médicos Veterinários

“Tenho acompanhado a evolução das Jornadas ao longo dos anos e, desde o início, o que foi inovador nesse evento foi a união dos produtores e médicos veterinários para discutir questões comuns”, afirma o Bastonário da Ordem dos Médicos Veterinários à nossa reportagem. De acordo com Pedro Fabrica, a colaboração entre essas duas partes é fundamental, especialmente quando se trata de temas como a sanidade e saúde animal. O médico veterinário desempenha um papel crucial na gestão da saúde dos animais, enquanto o produtor está diretamente ligado ao impacto que esses cuidados têm na produção. Além disso, o evento destaca-se pela sua relevância regional e internacional. “Já não se trata apenas de um evento local, mas sim de uma referência que atrai participantes até de países vizinhos, como a Espanha”, considera. Nuno Prates acredita que o “formato descentralizado e focado em ani mais de produção e cavalos só seria possível numa região como Évora, onde a pecuária extensiva é uma atividade central. Isso contribui para que o evento se torne uma referência para a medicina veterinária, para os produtores e engenheiros zootécnicos”.

Observando a evolução do programa ao longo dos anos, o Bastonário da Ordem dos Veterinários nota uma mudança significativa na abordagem das Jornadas. “Há dez anos, provavelmente discutiam-se muito mais casos clínicos e o problema do ponto de vista da doença, hoje assistimos também a palestras desse tipo, mas mais relacionadas com a inovação, gestão, com o futuro e a sustentabilidade do setor”, afirma.

Para Pedro Fabrica, comenta também a evolução do currículo nas universidades, que preparam os médicos veterinários para lidar com uma visão mais holística do trabalho. “Os médicos veterinários de hoje são preparados para compreender a saúde do animal de maneira integrada, considerando não apenas a doença, mas também a gestão da exploração pecuária como um todo. Hoje não é visto só a doença do animal, hoje o animal é visto como um todo (…). O produtor que deseja evoluir e ter ganhos sustentáveis sabe que não pode prescindir do trabalho do médico veterinário”, conclui.

Para além das várias sessões científicas apresenta das, na Sala Alter Real – realizou-se três mesas-re dondas. A saber:

“Profissionalização e Organização do Setor”, com a partici pação de Idalino Leão (AGROS), Nuno Correia (MAPORAL) e Pedro Ribeiro (ANCAVE) e com a moderação de Joana Vieira (Veterinária Atual)

“Digitalização e Inovação Tecnológica na Pecuária” com a participação de Gema Almendro (Datamars Livestock), Gui lherme Silva (Farmcontrol), André Almeida (Centro de Inves tigação LEAF e Laboratório Associado TERRA do ISA – UL) e com a moderação de Luís Alcino (InovTechAgro)

“Sustentabilidade da Produção de Carne” com a partici pação de Xóan Rodríguez (Alltech Espanha), Juan Pascual (Elanco Animal Health), Carla Pinto-Cruz (Universidade de Évora), José Freire (Fertiprado) e com a moderação de Paulo Gomes, CEO da Voz do Campo.

“O ambiente e a sustentabilidade não têm fronteiras”

O Ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes, presidiu à sessão da abertura desta 16ª edição, deixando claro a importância estruturante do setor agrícola para a economia do país e referindo-se aos agricultores como os guardiões do ambiente. “O ambiente e a sustentabilidade não têm fronteiras e mui tas das preocupações espelhadas nos debates destas jornadas, como a sustentabilidade, a rentabilidade, a inovação e o bem--estar animal, entroncam com o trabalho que temos vindo a desenvolver no Ministério da Agricultura e Pescas ao longo do último ano”, refere o Ministro acrescentando que o Apoio ao Rendimento Base (ARB) passou de 82€ para 126€ por hectare. Além disso à nossa reportagem, diz José Manuel Fernandes que o Governo tem procurado ajudar os agricultores quando enfrentam perdas, como no caso da doença da Língua Azul ou em intempéries, por exemplo. O Ministro insiste em explicar: “Quando ele perde rendimento, por exemplo, com a Língua Azul, ou com intempéries, nós também ajudamos”. Para garantir o futuro do setor, o Governo também está focado na renovação geracional, com mais apoio aos jovens agricultores. “Nós queremos promover a renovação geracional, e por isso aumentamos, por exemplo, o apoio aos jovens agricultores”, lembra José Manuel Fernandes.

Em relação às restrições impostas por conta das questões ambientais que impactam a produtividade, José Manuel Fernandes salienta a importância da “lei da reciprocidade” porque não se pode explicar a um agricultor europeu para não usar determinados fitofarmacêuticos na sua produção e depois importar produtos de fora que não estão sujeitos às mesmas regras.

“Toda a emissão de gases da União Europeia (UE) corresponde a 6% dos gases emitidos no mundo. Não quer dizer que a UE não faça a sua parte porque reconhecemos a importância de sermos sustentáveis. Agora o que não está certo é nós diminuirmos as emissões de gases e outros países aumentarem-nas produzindo sem regras com todas as implicações inerentes”, esclarece. O Ministro da Agricultura realça a importância de coordenar investimentos que tragam segurança aos agricultores, não só em termos de rendimento, mas também de infraestrutura. Uma das iniciativas mais relevantes neste sentido é o projeto “Água que Une”, que visa otimizar a gestão de água em Portugal, recentemente apresentado. José Manuel Fernandes, explica que o objetivo é melhorar a eficiência no regadio e garantir a sustentabilidade, com um investimento de 5.300 milhões de euros até 2030. “Nós consumimos menos de 9% da água que está disponível. Esta é a verdade. Portanto, deve mos armazenar água para depois a distribuir, se necessário, numa rede interligada”, considera.

Testemunhos de Empresas

MAPA: “COMUNICAR AS BOAS PRÁTICAS DA CADEIA ALIMENTAR”

Graça Mariano, representante do MAPA – Movimento, Ambiente e Produção Alimentar

Graça Mariano, representante do MAPA – Movimento, Ambiente e Produção Ali mentar, defende a importância de comunicar as boas práticas implementadas em toda a cadeia alimentar. Em entrevista, Graça Mariano recorda o objetivo central do movimento: “Comunicar a uma só voz para que o nosso destinatário, que é o público, o consumidor, faça as suas escolhas acertadas”. O MAPA, que surgiu inicialmente da Ordem dos Médicos Veterinários em 2021, procura esclarecer e desmistificar ideias pré-concebidas que circulam nas redes sociais sobre a produção de alimentos, principalmente carne e leite. “Não queremos que consumam mais carne ou mais leite. Queremos sim que eles saibam a importância que estes alimentos têm na sua dieta alimentar e que façam escolhas acertadas e informa das”, defende.

NUGEST: INOVAÇÃO NA NUTRIÇÃO ANIMAL PARA O SETOR DE RUMINANTES

Fernando Montero, diretor da Nugest

A Nugest, especialista em alimentação animal, tem-se destacado pela sua abordagem inovadora no setor, especialmente no que diz respeito à nutrição para ruminantes. Fernando Montero, diretor da Nugest, partilha à nossa reportagem a importância das Jornadas Internacionais do Hospital Veterinário Muralha de Évora para o setor no Alentejo. Fernando Montero diz que, recentemente, a Nugest iniciou um projeto de distribuição dos seus produtos na região em parceria com o Hospital Veterinário Muralha de Évora. “Estar aqui hoje é demonstrar a aliança com o Hospital para chegar ao mercado dos ruminantes em Portugal”, esclarece. A empresa foca desenvolver produtos naturais que substituem medicamentos, visando melhorar a saúde e o bem-estar dos animais, além de inovar na alimentação e nutrição dos ruminantes

RAÇA ANGUS EM CRESCIMENTO

Pedro Santos Vaz, secretário-geral da Associação de Criadores da Raça Aberdeen-Angus

Pedro Santos Vaz, secretário-geral da Associação de Criadores da Raça Aberdeen-Angus, destacou a importância do evento como uma oportunidade de encontro entre técnicos e produtores. “É o primeiro grande encontro do ano e uma excelente oportunidade para divulgarmos o nosso trabalho e fortalecer a troca de experiências entre criadores”, afirma Pedro Santos Vaz. Apesar dos desafios enfrentados nos últimos anos, como secas e doenças sanitárias, diz Pedro Santos Vaz que, “a raça Angus segue em expansão, com criadores presentes em todos os distritos de Portugal e até nas ilhas dos Açores, além de um crescente número de criadores espanhóis. O aumento da procura por carne de qualidade tem contribuído para este crescimento”

HIPRA DESTACA A IMPORTÂNCIA DA PREVENÇÃO NA SAÚDE ANIMAL

Deolinda Silva, diretora Serviços Técnicos Ruminantes da HIPRA e Gil Sena, diretor da Unidade de Negócios de Ruminantes e Suínos da HIPRA

A HIPRA esteve presente na 16ª edição das Jornadas Internacionais do Hospital Veterinário Muralha de Évora, reforçando o seu compromisso com a prevenção e a inovação no setor da bovinicultura. Durante as Jornadas, falámos com Gil Sena, diretor da Unidade de Negócios de Ruminantes e Suínos da HIPRA, e Deolinda Silva, diretora de Serviços Técnicos Ruminantes da HIPRA. Gil Sena destacou a importância de estar presente no evento, afirmando: “Estar junto dos nossos clientes a partilhar um pouco das nossas soluções é mais do que um gosto, é uma prioridade”. Deolinda Silva, ressaltou a relevância do trabalho conjunto entre médicos veterinários, produtores e a empresa: “Temos soluções para prevenir doenças e implementar protocolos de vacinação, sempre em parceria com o médico veterinário e o produtor”. Deolinda Silva também evidencia o papel das Jornadas como uma excelente oportunidade para a troca de conhecimentos e experiências entre profissionais do setor.

TÉCNICA DE MANEIO “NADA NAS MÃOS”

Adriana Zart, Smart Farming Datamars

Adriana Zart, da Smart Farming Datamars, durante as Jornadas Internacionais do Hospital Veterinário Muralha de Évora partilhou um conceito inovador no maneio de gado: o maneio “nada nas mãos”. Adriana Zart afirma que esta técnica utiliza apenas a linguagem corporal para guiar os animais dentro do curral, sem o uso de paus ou bandeiras. E à nossa reportagem realça: “É uma honra poder estar aqui, trazendo este tema para o evento, e mostrar como esta técnica pode melhorar a eficiência do maneio, com menos stress para os animais e com melhores resultados produtivos e económicos”. Esta abordagem já está implementada com sucesso em países como o Brasil, Estados Unidos e Austrália e pode ser aplicada tanto no gado leiteiro como de corte, independente mente do regime de criação.

“A CAPACIDADE DE ADAPTAR-SE AOS NOVOS DESAFIOS DO SETOR, COMO A DIGITALIZAÇÃO E A INOVAÇÃO TECNOLÓGICA, É UM DOS GRANDES DIFERENCIAIS DAS JORNADAS”

Luís Alcino, coordenador da InovTechAgro

Luís Alcino, coordenador da Inov TechAgro - Centro de Competências para a Inovação Tecnológica do Setor Agroflorestal, sublinha a relevância das Jornadas Internacionais do Hospital Veterinário Muralha de Évora, especialmente pelo papel fundamental que o evento desempenha no desenvolvimento do setor pecuário. À nossa conversa, Luís Alcino parabenizou a organização pelas 16 edições bem-sucedidas, destacando a importância do Congresso como um ponto de encontro crucial para a troca de conhecimentos entre profissionais da área, academia e indústria. Luís Alcino afirma: “Sem dúvida nenhuma, que este evento já se tornou uma referência, reunindo profissionais de diferentes áreas para refletir sobre temas relevantes e atuais. A capacidade de adaptar-se aos novos desafios do setor, como a digitalização e a inovação tecnológica, é um dos grandes diferenciais das Jornadas”.

“HOUVE UMA EVOLUÇÃO BRUTAL DA PECUÁRIA EXTENSIVA AO LONGO DESTES 16 ANOS”

José Freire, diretor comercial e marketing da Fertiprado

Para o diretor comercial e marketing da Fertiprado, José Freire, a 16ª edição das Jornadas Internacionais do Hospital Veterinário de Évora consolidaram-se como o principal evento do setor agropecuário na região do extensivo. Para a Fertiprado, que tem acompanhado esta iniciativa desde o início, o evento é uma plataforma essencial para a troca de conhecimentos e soluções inovadoras. José Freire afirma: “Estas jornadas fazem isso muito bem, e por isso é que são um sucesso há 16 anos. Temos aqui hoje cerca de 900 participantes, o que para o nosso setor é muito significativo. As pessoas levam daqui informação e, se com pararmos a pecuária extensiva de 2009 com a de hoje, houve uma evolução brutal. Uma evolução muito grande ao nível da melhoria da nutrição dos animais, através da utilização das pastagens e de forragens, mas também de suplementos mais adaptados (…)”. Além disso, José Freire também realça a evolução das práticas no setor, especialmente no uso de novas tecnologias e soluções sustentáveis que promovem uma agro pecuária mais resiliente e adaptada às mudanças climáticas.

“EQUILIBRAR A PRODUÇÃO ANIMAL COM AS CRESCENTES EXIGÊNCIAS DA SOCIEDADE”

Xoán Rodríguez, diretor de Sustentabili dade da Alltech Espanha, à Voz do Campo mostrou-se surpreso pela grande afluência de participantes durante as Jornadas. “Há que felicitar a organização pelo evento”, considera. Questionado por se pronunciar sobre a ideia de um mundo sem vacas, tema abordado numa palestra pelo mesmo, Juan Rodriguez afirma, “o mundo sem vacas seria muito diferente do mundo que vivemos, porque as vacas estão presentes há mais de 10 milhões de anos. Seria um mundo difícil de com preender”, partilha. Para o diretor, o desafio está em equilibrar a produção animal com as crescentes exigências da sociedade por alimentos mais sustentáveis e de qualidade, utilizando tec nologia e biotecnologia, como é a missão da Alltech.

CERTIS REFORÇA PAPEL DA CERTIFICAÇÃO

João Vaz Freire, CEO da Certis

“O evento é fundamental, porque sendo Certis um organismo delegado pela autoridade competente do Estado do Membro de Portugal e acreditada pelo Instituto Português de Acreditação, e sendo inclusivamente líder no setor da produção primária na certificação, temos aqui grande parte dos nossos clientes”, afirma João Vaz Freire, CEO da Certis, à nossa reportagem sobre a presença da empresa no Congresso. Fundada há 27 anos, a Certis ao ser um organismo de controle e certificação, segundo o CEO, “certifica a fileira produtiva, ou seja, desde a produção, preparação e comercialização, cumprindo pilares fundamentais da norma que é a independência, a imparcialidade, a eficácia e a competência”. A empresa é responsável por auditar e certificar práticas, desde a agricultura biológica até o bem-estar animal, garantindo que os produtos correspondam às exigências do mercado.

“O GADO É A CHAVE PARA A ECOLOGIA”

Juan Pascual, Elanco Animal Health

Para Juan Pascual, da Elanco Animal Health, estas Jornadas oferecem uma oportunidade vital para a troca de informações, sublinhando a importância de se reunir profissionais de diversas áreas para promover o conceito de “One Health” e acrescenta: “Acredito que é muito importante ter esta capacidade, de chegar a uma região como o Alentejo, Évora, onde muita gente trabalha no setor, e ter esta oportunidade de ter palestras, intercâmbio e diálogo (…) onde tudo gira em torno da saúde, porque, afinal, a saúde dos animais também é a saúde das pessoas”. Além disso, Juan Pascual teve a oportunidade de ser orador da mesa-redonda “Sustentabilidade da Produção de Carne” onde focou as razões éticas, ecológicas e de saúde, sublinhando que o gado tem uma função essencial na reciclagem de materiais vegetais, transformando-os em alimentos nutritivos para os seres humanos. “O gado é a chave para a ecologia. O gado come mui tas coisas que se não comessem iam para o lixo. Por cada quilo que nós comemos de matéria vegetal, produzimos quatro que não podemos comer”, destaca. Essa reciclagem de nutrientes, segundo Juan Pascual, é crucial para garantir a qualidade nutricional de produtos como a carne, leite e ovos, que são fontes concentradas de nutrientes essenciais, como ferro e vitamina B12..

 

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