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O potencial da avicultura em Congresso

O potencial da avicultura em Congresso

A 4.ª edição do AVIS – Congresso Internacional de Avicultura, organizada pela Associação Portuguesa de Engenharia Zootécnica (APEZ), decorreu com assinalável sucesso nos dias 8 e 9 de maio, em Coimbra. Segundo a organização, o evento reuniu 221 participantes, entre investigadores, profissionais, técnicos e estudantes, voltando a afirmar-se como o principal fórum técnico-científico nacional dedicado ao setor avícola.

Desde a sua criação, em 2017, o AVIS tem desempenhado um papel decisivo na valorização da avicultura portuguesa, pro movendo a atualização de conhecimentos, o debate informado e a ligação entre ciência, produção e inovação. A edição deste ano não foi exceção, reunindo um conjunto notável de comu nicações técnicas e intervenções que, segundo a organização, refletem a maturidade e a vitalidade crescentes do setor.

O programa científico destacou-se pela densidade e atualidade dos temas, com sessões dedicadas à nutrição e alimentação de precisão, saúde e bem--estar animal numa lógica de “Uma Só Saúde”, evolução funcional da produção de frangas e poedeiras, condicionamento ambiental e ventilação, e ainda à segurança e qualidade alimentar, sempre com o olhar atento ao papel do consumidor. A mesa-redonda final proporcionou uma retrospetiva crítica e uma visão prospetiva dos subsetores de carne e ovos, analisando os desafios e oportunidades em contexto nacional, europeu e global.

Ao todo, o evento contou com 31 patrocinadores, várias instituições apoiantes e o apoio institucional de entidades de referência como a ANCAVE, ANAPO, FEPASA, IACA, DGAV e APCA – parcerias que, segundo a organização, atestam o prestígio e a relevância crescente do AVIS no panorama agroalimentar nacional.

Este congresso foi também um momento de celebração da colaboração e do empenho coletivo. O sucesso do AVIS’25 deveu-se, segundo a organização, ao trabalho exemplar da comissão científica, ao apoio incansável dos voluntários e ao envolvimento de oradores e moderadores de excelência. “Esta edição encerrou-se com um profundo sentimento de gratidão e missão cumprida, com a certeza de que todos os congressistas saíram com mais conhecimento, novas perguntas e o compro misso renovado de contribuir para um a avicultura mais inova dora, resiliente e próxima da sociedade (…). O próximo reencontro está marcado: até ao AVIS 2027”, vinca a organização.

Ao longo dos dois dias do AVIS’25, a Voz do Campo recolheu testemunhos de vários protagonistas do setor.

“Unir toda a fileira avícola”

Ana Geraldo, vice-presidente da APEZ, realçou o valor afetivo e estratégico do Congresso AVIS: “Foi o primeiro congresso na área avícola que começou em 2017”. Agora na 4.ª edição, o evento mantém os objetivos — unir toda a fileira avícola, promovendo a troca de conhecimento entre técnicos, profissionais e estudantes. “Queremos debater inovação e temas atuais, como a gripe das aves, que este ano tem afetado bastante a produção”, refere.

Bruno Roque, membro da Comissão Científica do AVIS´25 elogiou a dinâmica do Congresso Internacional de Avicultura, considerando-o um ponto de encontro essencial: “É uma oportunidade para todos os profissionais se reunirem, trocarem experiências e ouvirem comunicações relevantes”. Comentou ainda o bom funcionamento da edição atual, com forte adesão por parte de empresas e técnicos.

“A Europa é um dos maiores players mundiais no setor da avicultura”

Para Pedro Ribeiro, secretário-geral da ANCAVE- Associação Nacional dos Centros de Abate e Indústrias Transformadoras de Carne de Aves, a Europa é “um dos maiores players mundiais no setor da avicultura”, combinando volume de produção com liderança em exportação. Reforça que o modelo europeu é reconhecido pela sua sustentabilidade ambiental: “Segundo a FAO, é a produção mundial com menor impacto ambiental”. No entanto, apontou críticas às decisões políticas internas: “A Europa não tem nada a temer (…) a não ser a si própria”. A seu ver, o futuro competitivo depende da capacidade de manter a produção sem imposições desproporciona das e exigindo condições justas no comércio internacional.

“A carne de frango e os ovos são proteínas de ele vado valor nutritivo”

Manuel Chaveiro Soares, presidente da Comissão Científica do Congresso, realça que o setor avícola apresenta um grande grau de sustentabilidade em termos ambientais e sociais, principal mente. Segundo o responsável, “ambientais porque, sobretudo graças ao melhoramento animal que se tem verificado desde o fim da Segunda Grande Guerra Mundial e aos progressos regista dos na nutrição e maneio, as aves tornaram-se muito eficientes”, ao mesmo tempo que argumenta: “O melhoramento genético poupa 600 mil hectares de cultivo mantendo a produção atual de frangos”, conforme o estudo da Universidade de Wageningen. No plano social, salienta que “a carne de frango e os ovos são proteínas de elevado valor nutritivo”, acessíveis a toda a população. “Hoje o consumo de frango eleva-se a 43 quilos per capita em Portugal. Significa que é um contributo muito relevante para a economia nacional. Além disso, somos exportadores, de frangos, de ovos para incubação, pintos do dia (…)”, realça. Contudo, Manuel Chaveiro Soares alerta para o risco da gripe aviária, especialmente em sistemas ao ar livre: “As aves ficam mais expostas à contaminação por aves silvestres”. Também abordou as exigências legais da União Europeia, que considera excessiva mente morosas e penalizadoras para a produção nacional.

“O grande desafio continuará a ser o bem-estar animal”

Na sua intervenção, Paulo Mota, presidente da ANAPO - Associação Nacional dos Avicultores Produtores de Ovos, fez um balanço da evolução da produção de ovos nas últimas seis décadas, desde os avanços técnicos até às mudanças no mercado global. Realçou que “o grande desafio continuará a ser o bem-estar animal”, mas advertiu que “a questão sanitária, especialmente a gripe aviária, pode ter um impacto ainda mais determinante no futuro do setor”.

 

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