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A utilização de bioestimulantes incrementa a qualidade e produtividade do mirtilo

A utilização de bioestimulantes incrementa a qualidade e produtividade do mirtilo

A produção de mirtilo (Vaccinium corymbosum L.) tem vindo a aumentar nos últimos anos devido, em grande parte, aos seus atributos qualitativos amplamente apreciados, nomeadamente a nível nutricional e sensorial (Gilbert et al., 2014; Kalt et al., 2020; Brazelton et al., 2024).

De facto, este fruto constitui uma excelente fonte de com postos bioativos com elevado potencial antioxidante, estando o seu consumo associado a diversos efeitos benéficos para a saúde (Silva et al., 2020; Duan et al., 2022). Além destas características, a sua firmeza é valorizada por estar direta mente relacionada com a resistência durante o transporte, tempo de prateleira e às colheitas mecânicas (Gilbert et al., 2014; Cappai et al., 2018). A aplicação de bioestimulantes representa uma alternativa sustentável no contexto das alterações climáticas, podendo contribuir para a melhoria dos atributos produtivos e qualitativos do mirtilo. Estes compostos definem-se como “substâncias ou microrganismos aplicados às plantas com o intuito de fomentar o aumento da eficiência nutricional, tolerância ao stresse abiótico e/ou melhoramento das suas características qualitativas, independentemente do seu teor em nutrientes” (Du Jardin, 2015).

Entre os vários grupos caracterizados, podem-se encontrar bioestimulantes à base de algas marinhas e de glicina-betaína (GB), entre outros

O objetivo deste trabalho foi avaliar o impacto da aplicação foliar em pré-colheita de dois bioesti mulantes, à base de algas castanhas da espécie Ecklonia maxima (EM) e de GB, na produtividade e qualidade (peso, firmeza e sólidos solúveis totais (SST)) de mirtilos da cultivar ‘Draper’, instalados em 2012.

Este ensaio experimental realizou-se em Vilarandelo, conce lho de Valpaços, no ano de 2023. Para tal, foi efetuada a apli cação dos seguintes tratamentos (T1 a T6): 4 L ha-1 EM (T1), 2 L ha-1 EM (T2), 4 kg ha-1 GB (T3), 2 kg ha-1 GB (T4), 4 L ha-1 EM + 4 kg ha-1 GB (T5) e 2 L ha-1 EM + 2 kg ha-1 GB (T6). Foi também aplicado um tratamento controlo (T0), com água. Os tratamentos realizaram-se em diferentes estados fenológicos: plena floração, início de crescimento dos frutos e início da coloração dos frutos (Figura 1) para ambos os compostos.

A aplicação foliar de 4 L ha−1 EM (T1) contribuiu para o aumento significativo da produção de mirtilos por planta, com um aumento de 52% relativamente ao controlo (T0) (Quadro 1). A aplicação de algas, devido ao seu teor em poliaminas, pode ter favorecido a germinação do pólen e, consequente mente, o vingamento dos frutos (Ovalle et al., 2019). Além disso, os compostos fenólicos, incluindo os florotaninos, os polissacáridos e as hormonas presentes nas algas são respon sáveis pelo aumento do crescimento das culturas através de uma melhor absorção de nutrientes (Stirk et al., 2020; Deolu--Ajayi et al., 2022), podendo ter contribuído para o aumento da produção por planta nesta cultura.

Os mirtilos tratados com a dose alta de EM (T1) e com a com binação dos dois bioestimulantes (T5 e T6) apresentaram um peso 12%, 15% e 13%, respetivamente, superior ao T0 ,A presença de polissacáridos e hormonas, como as auxinas, citoquininas, ácido abscísico e giberelinas, presentes nos extratos de algas, que podem ativar diferentes vias biossintéticas e interagir entre elas, regulando as vias hormonais (Stirk et al., 2020; Deolu-Ajayi et al., 2022) podem ter contribuído para o aumento do peso dos frutos. Além disso, o papel da GB no aumento do peso pode estar relacionado com uma utilização mais eficiente da água, através do ajustamento osmótico, com o aumento da atividade de enzimas envolvidas na síntese de sacarose, com o aumento da concentração de hormonas e com a regulação e expressão de genes relacionados com a expansão e divisão celular (Zhang et al., 2019; Ibrahim et al., 2023).

A aplicação foliar de 4 kg ha-1 GB contribuiu para um aumento de 25% da firmeza dos mirtilos comparativamente ao T0 (Quadro 2). Adicionalmente, os frutos tratados com T5 e T6 apre sentaram uma firmeza 35% e 28%, respetivamente, superior. A presença de diversos compostos bioativos nos extratos de algas, assim como a melhoria na absorção e assimilação de nutrientes, pode desempenhar um papel importante na estrutura e composição das paredes celulares. Por outro lado, a GB pode ter contribuído para o ajustamento osmótico destes frutos, aumentando a turgescência celular e, consequentemente, a sua firmeza. A metodologia utilizada para a medição da firmeza está ilustrada.

A aplicação de ambas as doses de GB (T3 e T4) aumentaram em 13% e 14%, respetivamente, os valores de SST dos mirtilos (Figura 4). A aplicação conjunta dos bioestimulantes também gerou um efeito positivo neste parâmetro, com aumentos de 11% para T5 e 12% para T6.

Com este estudo, conclui-se que a aplicação foliar de bioestimulantes à base de algas e GB tem um impacto positivo na produtividade e qualidade dos mirtilos da cultivar ‘Draper’, com particular destaque para a aplicação conjunta dos dois bioestimulantes.

 

 

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