H á qualquer coisa de certo em semear o futuro onde rezamos no passado
"Participei na Mesa de Produtores do 14.º Encontro Nacional de Produtores de Mirtilo no Convento de São Francisco, em Santarém — fundado em 1242, e uma das salas mais impressionantes que já vi para um debate sobre agricultura.
Junto de Fernando Azevedo (Minhoberrycoop), Maria João Raro (Maio Verde), Nuno Melo (Valle de Santa Cristina) e Pedro Aguiar (Campo Blue), e com a moderação de Pedro Brás de Oliveira (INIAV), debatemos o presente e o futuro do mirtilo português.
O mercado global de mirtilo continua a crescer. A procura não para e a categoria está a ganhar novos consumidores em toda a Europa.
Portugal tem uma posição estratégica única. A nossa janela de produção — pleno verão europeu, quando poucos produzem — combinada com a proximidade aos grandes mercados consumidores, é uma vantagem estrutural que nenhum concorrente nos pode tirar.
A fileira está a amadurecer. Há mais profissionalismo, mais organização e mais consciência estratégica do que há dez anos.
O desafio que deixei na mesa é duplo: em Portugal, uma campanha coletiva de notoriedade que leve o mirtilo a mais lares — hoje apenas 18% das famílias portuguesas compram mirtilo, contra 58% no Reino Unido. Na Europa, posicionar Portugal como origem de referência junto dos armazenistas — fiável, consistente e profissional.
São dois trabalhos diferentes mas complementares. E nenhum deles é possível sozinho.
Obrigado à ANPM pela organização de um evento de referência e a todos os painelistas pela qualidade do debate".
Artigo de opinião de Nuno Silveira - Diretor-Geral e Sócio Fundador da Visionagro - Agricultura e Inovação Lda