D e acordo com a edição de janeiro da FNOPInforma, editada pela Federação Nacional das Organizações de Produtores de Frutas e Hortícolas (FNOP) o ano de 2024 foi marcado por desafios e superações para o setor do tomate de indústria em Portugal.
Pode ler-se na FNOPInforma que as organizações de produtores mantêm o seu papel central na estruturação do setor, assegurando dois pilares fundamentais: a concentração da oferta, através da gestão coordenada da produção dos seus associados face às necessidades da indústria, e a garantia da qualidade do produto. O trabalho cooperativo, prepara o setor para os desafios climáticos e de mercado, e posiciona os produtores para um desempenho cada vez mais competitivo e sustentável.
Evolução da Produção Mundial
A produção mundial de tomate para indústria tem registado um aumento gradual e sustentado aos longo dos últimos anos. Alguns países têm vindo a ganhar maior protagonismo no cenário global, alterando o ranking dos principais produtores. Em 2024, 39 países produziram tomate para a indústria. Os três principais produtores —China, Califórnia (EUA) e Itália — contribuíram, em conjunto, com 25.680.000 toneladas, o que representa 56,11% da produção mundial total. Estas três regiões foram assim responsáveis por mais de metade da produção global de tomate de indústria em 2024. A produção mundial atingiu aproximadamente 45,7 milhões de toneladas, estabelecendo um novo recorde, apesar de representar uma diminuição de mais de 1,5 milhões de tone ladas em relação às previsões iniciais.
Em resumo, a produção mundial apresentou variações significativas entre os países, influenciadas por fatores climáticos, disponibilidade de recursos hídricos e condições económicas. O Hemisfério Norte continua a ser o principal contribuinte para a produção global, embora o Hemisfério Sul tenha mos trado aumentos notáveis em alguns países.
Evolução da Produção Nacional
A produção de tomate em Portugal tem registado um aumento moderado, mas consistente, ao longo dos últimos anos. Os produtores portugueses têm-se esforçado por se adaptar a fatores como as alterações climáticas e as oscilações de mercado. A campanha começou tarde, mas foi um ano normal e terminou com um volume final próximo da estimativa de aproximadamente 1,6 milhões de toneladas. Foi uma colheita tranquila, sem grandes ondas de calor. Os rendimentos foram um pouco inferiores ao normal. Durante a instalação da cultura existiram temperaturas baixas, aliadas a valores de precipitação acima do normal que acabaram por se refletir no início da colheita, com um atraso comparativamente a 2023, de uma semana. No período de estabelecimento das plantas e até à formação dos frutos, as chuvas acabaram por ter um impacto negativo. Na fase de maturação, em julho, as temperaturas aumentaram, com médias diárias oscilando entre 20°C e 30°C. Estas condições aceleraram o processo de maturação dos frutos, contribuindo para a obtenção de níveis médios de Brix entre 5,06 e 5,26, cor a/b de 2,10 a 2,20 e pH acima de 4,25. Contudo, estas condições também favoreceram pontualmente o surgimento de pragas (mosca-branca, Tuta absoluta), exigindo medidas fitossanitárias rigorosas para minimizar os danos às culturas. Os níveis de toxinas de Alternaria foram baixos, dentro dos valores indicativos da EFSA. Na fase de colheita, as temperaturas mantiveram- -se elevadas, com médias diárias entre 25°C e 35°C. A ausência de precipitação durante este período permitiu que a colheita decorresse sem interrupções, mas existiu, no entanto, uma maturação pouco uniforme o que originou numa fase final um excesso de tomate verde e de sobre-maduro. A partir de 30 de setembro o estado do tomate já era em muitos casos inaceitável para permitir o necessário processamento com qualidade.
Campanha de Tomate de Indústria 2024
Campanha de Tomate de Indústria 2024 Curiosidades TOMATE TOMATE Participaram na campanha 13 Organizações de Produtores e o número de produtores aumentou para 371, um acréscimo de 21 produtores em relação ao ano de 2023. A área declarada no pedido foi de 17 700 ha, também superior à do ano anterior.
Produção
A produção em 2024 foi de 1 640 781 toneladas de tomate e a produtividade de 92.7 ton/ha. Os produtores continuam a demonstrar o seu comprometimento com a excelência da produção. Os investimentos em tecnologia, as práticas agrícolas sustentáveis e a experiência acumulada, a par de um clima favorável, foram fatores determinantes para o sucesso.
Mercado e Exportações
A demanda por produtos à base de tomate de indústria permanece estável, com uma tendência crescente nos mercados internacionais. Segundo o INE, o Reino Unido é o principal mercado de exportação em valor (61,14 M€), seguindo-se o Japão (49,25 M€), a Alemanha (42,43 M€) e a Espanha (32,55 M€).
Desafios presentes e futuros em Portugal
Escassez de mão- de- obra: Falta de trabalhadores sazonais o que afeta a gestão da cadeia de abastecimento, desde as explorações agrícolas até às indústrias.
Desafios climáticos e ambientais: A variabilidade climática crescente e a escassez de água afetam a produtividade e até a exequibilidade da cultura em determinadas regiões do território; O calor e a seca favorecem pragas como a Tuta absoluta, entre outras.
Controlo de pragas e doenças: A pressão crescente de pragas e doenças ameaçam o rendimento e a viabilidade da cultura; Existe uma necessidade crescente de utilização de métodos sustentáveis e eficazes de gestão de pragas, dada a constante redução das substâncias ativas homologadas para a cultura na Europa.
Sustentabilidade e regulamentações: Crescente exigência por práticas sustentáveis como a Agricultura de Conservação/ Regenerativa; Dificuldade em equilibrar as imposições ambientais decorrentes da regulamentação da União Euro peia (UE) com o controlo de custos.
Acesso ao mercado e políticas comerciais: Alterações nas políticas comerciais que podem dificultar o acesso a merca dos- chave e dependência significativa de mercados da UE27 e fora da UE.
Inovação tecnológica: Volatilidade dos preços e concorrência com grandes produtores fora da EU (EUA, China, Turquia e Egipto), que criam fluxos comerciais desequilibrados, versus os custos crescentes de energia e de outros fatores de produção que pressionam a rentabilidade.
Competição económica e global: Necessidade de investimentos permanentes em tecnologia/ inovação para melhorar a eficiência e reduzir a duração das campanhas.
Estes desafios destacam a necessidade de apoiar os agricultores para assegurar a competitividade e sustentabilidade da indústria no futuro.