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Oliveira “Galega Vulgar”: Do gene ao prato

Oliveira “Galega Vulgar”: Do gene ao prato

A BLC3 é um Centro de Tecnologia e Inovação com sede em Oliveira do Hospital e com um polo na região Norte (Macedo de Cavaleiros e Alfandega da Fé), onde realiza trabalhos de investigação e inovação nas áreas da Bioeconomia e Economia Circular. A fileira do azeite virgem extra da variedade da oliveira Galega Vulgar é uma das áreas de aposta e com alguns anos de trabalho na BLC3, com uma visão completa de toda a cadeia de valor: desde a genética até ao prato, numa perspectiva holística do ciclo de vida.

A variedade de oliveira “Galega Vulgar” é uma planta ancestral em Portugal que dá origem à produção de azeites de excelente qualidade e distinção internacional. O sector do azeite é um setor em crescimento em Portugal, tendo em 2021 alcançado o recorde de 138 milhões de litros, com uma exportação em 2022 de 65%. O azeite virgem extra – de excelente qualidade e refinação – apresenta qualidades únicas também para a saúde humana, sendo um elemento fundamental da alimentação humana. A fileira do azeite apresenta ainda muitos desafios científicos e tecnológicos e nas diferentes fases da cadeia de valor: desde a terra e cultivo da azeitona, até à recolha, transformação, alimentação e nutracêutica. A BLC3 trabalha em diferentes processos do ciclo de vida, como:

- GENÉTICA:

Análise morfológica e melhoramento genético para a resiliência às alterações climáticas, melhoria de qualidade e capacidade produtiva e adaptação produtiva para a mecanização, com um doutoramento concluído; uma guarda genética com mais de 200 indivíduos, representativos da NUTSII Norte, Centro e Alentejo; em curso também existe um trabalho para a identificação das variáveis de decisão climatéricas e geográficas na qualidade, produtividade e resiliência da oliveira Galega Vulgar, tendo em conta ainda as questões da altitude e das influências da proximidade ao atlântico;

- VALORIZAÇÃO DE SUBPRODUTOS:

1 doutoramento concluído, com origem a uma patente europeia, na valorização do subproduto do bagaço de azeitona e a sua conversão em produtos de interesse para a saúde funcional, nutracêutica e cosmética;

- TRATAMENTO E VALORIZAÇÃO DE RESÍDUOS E EFLUENTES:

Aposta na conversão em produtos de elevado valor acrescentado, na recuperação dos polifenóis e na obtenção de derivados de interesse para o setor alimentar, nutracêutico, química fina e cosmética;

- AVALIAÇÃO DE CICLO DE VIDA E ECODESIGN:

Avaliação dos impactos ambientais e melhoria do desempenho ecológico nas diferentes partes do ciclo de vida;

- SIMBIOSES INDUSTRIAIS:

Modelos de atividade e exploração híbridos, que permita a integração de pastagens biodiversas e permanentes nos olivais, como uma atividade complementar de produção de leite na região da Serra da Estrela;

- NUTRISCORE, DIETA MEDITERRÂNICA E PLANETÁRIA;

Nesta área, existe em curso um grande trabalho e cooperação internacional com o envolvimento de nutricionistas, médicos de especialidade cardiovascular, bioquímicos, até biologistas para a valorização do azeite virgem extra e do seu papel e importância para a alimentação e saúde humana. Aqui também se está a trabalhar em novas ferramentas de controlo de qualidade e genuinidade do azeite virgem extra da Galega.

- PROMOÇÃO CIENTÍFICA E CO-ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS;

Como por exemplo, o evento do International Yale Symposium on Olive Oil and Health para o Azeite Virgem Extra, em parceria com uma Universidade do EUA, a Yale School of Public Health (uma das 10 melhores uni versidades do mundo). Um trabalho de cooperação que começou em 2021 e que se tem vindo cada vez mais a fortificar e a criar redes de cooperação internacional, para permitir que o azeite das variedades portuguesas esteja presente nas mais importantes iniciativas internacionais, estando em curso uma nova ação que irá permitir posicio nar Portugal nesta área.

Todo este trabalho culminou com um LANÇAMENTO DE UM MARCO importante no campus da BLC3, onde no passado Dia Mundial da Oliveira, dia 26 de novembro de 2024, foi hasteada uma bandeira “OLIVEIRA GALEGA”, onde esteve também presente os Azeites Cobral e o Museu do Azeite, duas importantes entidades na região e no setor do azeite.

Para João Nunes, presidente e CEO da BLC3, “a Galega, não só no contexto do azeite, como da produção de azeitona de mesa, é uma variedade única, com características distintas de muitas outras variedades, e com uma excelência exemplar. Tem, contudo, grandes desafios pela frente e oportunidades, onde cada vez mais, temos de conseguir alcançar novos conhecimentos e transferi-los para as diferentes partes da cadeia de valor, começando logo no viveiro. É no gene e na qualidade da planta que tem logo de começar o trabalho e atenção na produção e no setor do azeite e azeitona de excelência. Existe um ditado português muito importante: “o que nasce torto, tarde ou nunca se endireita”. Quanto melhor a qualidade e a morfologia da planta melhor será o rendimento produtivo do agricultor e melhor será o azeite e a azeitona. Existe uma tradição e uma cultura forte e papel social que liga as pessoas à Oliveira. Queremos que a região Beira Serra seja uma região e um marco em Portugal na variedade portuguesa da oliveira “Galega Vulgar”, quer no Azeite Virgem Extra como na Azeitona”.

 

 

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