A técnica de cobertura com filme de polietileno foi introduzida na agricultura por volta dos anos 60 e é agora amplamente utilizada pelos muitos benefícios que traz ao setor hortícola e também para culturas de ciclo mais longo. As coberturas vegetais têm uma vida útil que depende estritamente do ciclo da cultura em que são utilizadas mas, se não forem geridas corretamente, podem ter consequências negativas para o ambiente.
O filme de cobertura oferece vantagens importantes do ponto de vista agronómico, mas também cria um problema de resíduos que têm de ser eliminados para minimizar o seu impacto ambiental. Infelizmente, no entanto, no final do ciclo de cultivo, o filme de cobertura de plástico está fortemente misturado com solo e resíduos de vegetação que aumentam o seu peso inicial em, pelo menos, 50%, pelo que a sua eliminação é dispendiosa para o agricultor.
5% do total de resíduos de plástico na Europa é constituído por plásticos agrícolas.
O mercado europeu de filme de cobertura ascende a 80.000 toneladas, das quais 95% (76.000 toneladas) são de origem não renovável e não biodegradável e estima-se que mais de 30% permaneçam no solo1. Uma resposta a este problema vem do mundo dos bioplásticos: desde há vários anos, é popular no terreno o filme de cobertura vegetal biodegradável, que, precisamente devido a esta caraterística, não precisa de ser removida ou eliminada, podendo ser deixada no campo, simplificando a gestão dos resíduos.
A Novamont foi pioneira no domínio dos bioplásticos e está hoje entre os atores internacionais neste domínio com a sua família de biopolímeros Mater-Bi, desenvolvida há mais de 30 anos e totalmente biodegradável no solo, de acordo com a certificação OK Biodegradable Soil Certification e a norma EN 17033, que garantem a sua total biodegradabilidade em condições típicas do solo.
A certificação OK Biodegradable Soil é um certificado atribuído aos materiais que são totalmente biodegradáveis no solo sem efeitos negativos (toxicidade) no substrato de degradação do solo - Certificado emitido pela TŪV Áustria.
EN 17033: Norma europeia que define as caraterísticas do filme biodegradável em termos de biodegradabilidade total no solo sem efeitos negativos (toxicidade) no substrato de biodegradação (solo), caraterísticas do produto acabado (propriedades iniciais de tração e óticas). Certificado de conformidade emitido segundo o protocolo DIN CERTCO.
Em novembro de 2024, a União Europeia alterou o Regula mento (UE) 2019/1009, incluindo os polímeros biodegradáveis (que constituem as películas biodegradáveis para cobertura vegetal) na categoria de materiais constituintes (CMC) 9 “Polímeros que não sejam polímeros de nutrientes” e as películas biodegradáveis para cobertura vegetal na categoria de produtos funcionais (PFC) 3 “Alterações do solo”. Com o ato delegado, a Comissão estabelece os requisitos de biodegradabilidade no solo e na água que devem ser cumpridos pelas películas biodegradáveis de cobertura vegetal e, em especial, pelos polímeros que as compõem, a fim de dar cumprimento ao Regulamento (UE) 2019/1009. Para além dos critérios de biodegradabilidade, os polímeros devem ser aprovados em ensaios de ecotoxicidade (ensaio de toxicidade aguda para plantas e minhocas, ensaio de toxicidade crónica para minhocas, ensaio de nitrificação). Como PFC 3, ou seja, corretivos do solo, devem ser testados quanto a metais pesados e agentes patogénicos para películas e não devem exceder os limites estabelecidos pelo Regula mento (UE) 2019/1009.
Valores de biodegradação
No solo:
1. uma degradação final de, pelo menos, 90 % em comparação com a degradação do material de referência num prazo máximo de 24 meses, acrescido do período de funcionalidade indicado no rótulo do produto.
2. Pelo menos 90 % de mineralização, medida como CO2 desenvolvido, num prazo máximo de 24 meses, acrescido do período de funcionalidade indicado no rótulo do produto.
Ambiente aquático (água doce, estuarina ou marinha ou interface água/sedimento):
1. uma degradação final de, pelo menos, 30 % em relação à degradação do material de referência no prazo de 12 meses.
2. Uma degradação final de, pelo menos, 90 % em relação à degradação do material de referência num prazo de 24 meses, acrescido do período de funcionalidade indicado no rótulo do produto.
Aspetos económicos
Para avaliar a relação custo-eficácia da utilização de filmes biodegradáveis no solo, é necessário ter em conta vários aspe tos para efetuar uma análise completa dos custos de cultivo, nomeadamente:
- É necessário menos material por hectare do que para os plásticos convencionais, de facto os materiais biodegradáveis têm em média 15 milímetros.
- Não existem custos de gestão do material em fim de vida, ou seja, custos de remoção e transferência para uma empresa especializada na gestão de resíduos de plástico.
- A aplicação do filme de cobertura vegetal biodegradável no solo é uma das medidas ambientalmente aceitáveis. Além disso, os filmes de cobertura biodegradáveis foram incluídos na PAC (Política Agrícola Comum) desde 2008 em vários Estados-Membros da UE.
As OCM (Organizações Comuns de Mercado) das frutas e produtos hortícolas de Itália, Espanha e Portugal incluíram os filmes de cobertura vegetal biodegradáveis entre as medidas ambientais elegíveis, com uma ajuda à compra (521 euros/ha a incluir a 50% nos programas operacionais).
O filme de cobertura biodegradável no solo é já uma solução para os agricultores que pretendem conciliar a produção com a redução de eventuais plásticos permanentes no solo e a poupança de água (água de rega e pesticidas).
Graças à investigação e à inovação tecnológica da Novamont, o filme de cobertura biodegradável é agora mais acessível para uma vasta gama de ambientes agrícolas, ou seja, mesmo para algumas culturas que não são tradicionalmente objeto de filme de cobertura.