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“A Influência do Terroir Vulcânico nos Vinhos dos Açores”

“A Influência do Terroir Vulcânico nos Vinhos dos Açores”

A viticultura açoriana remonta ao século XV, após o povoa mento, criada por frades portugueses e flamengos, que trouxeram as primeiras castas e iniciaram o cultivo da vinha, especialmente nas ilhas do Pico, Terceira e Graciosa. Durante os séculos XVII e XVIII, os vinhos açorianos ganharam fama internacional, sendo exportados para a Europa e América, altamente apreciados pela sua complexidade e longevidade. Porém, durante o auge da produção esta foi abruptamente interrompida, no século XIX, com a chegada de doenças e pragas como o oídio, míldio e a filoxera, que devastaram as vinhas em quase toda a sua totalidade. Apenas no final do século XX, início de XXI, se começou um processo de renasci mento dos vinhos açorianos, impulsionado pela classificação da paisagem cultural da vinha da Ilha do Pico pela UNESCO como património mundial, e por projetos de manutenção e recuperação das vinhas e valorização das castas autóctones/ tradicionais.

As castas açorianas destacam-se pela sua adaptação ao terroir vulcânico e ao clima atlântico, algumas das quais, exclusivas desta região, nomeadamente:

Arinto dos Açores (Autóctone):- Acidez muito elevada. - Aromas cítricos, salinos e minerais.- Perfil seco, com grande frescura e longevidade. - É a casta branca mais plantada nos Açores.- Diferente do Arinto do continente (Pedernã).- Sinónimo da casta “Terrantez da Terceira”- Casta apta a DOP Pico, DOP Graciosa e DOP Biscoitos. Verdelho (Tradicional nos Açores):- Aromas frutados, florais e ligeiramente tropicais.- Boa acidez e corpo médio.- Apresenta notas salinas e minerais.- Diferente do Gouveio, Verdejo e Verdecchio. - Casta apta a DOP Pico, DOP Graciosa e DOP Biscoitos.- Muito usado historicamente na produção de vinhos licorosos. Terrantez do Pico (Autóctone):- Perfil aromático complexo, com notas florais e leve especiaria.- Acidez equilibrada e textura cremosa.- Casta muito rara.- Distinta do “Terrantez” da Madeira.- Casta apta a DOP Pico, DOP Graciosa e DOP B.

Para além destas três castas tradicionais, nos Açores, são permitidas mais 50 castas, aptas a IGP Açores, como as castas tintas: Agronómica, Caladoc, Cabernet Sauvignon, Merlot, Saborinho, Syrah e as castas brancas: Arinto (Pedernã), Char donnay, Fernão Pires, Malvasia Fina, Riesling, Rio Grande e Verdejo, atualmente em produção. Os solos dos Açores são de origem vulcânica, de basalto negro, porosos e ricos em minerais como ferro, magnésio e silício. Apresentam também alta drenagem, sendo os solos pouco profundos e muito permeáveis. Além disso, têm uma mineralidade intensa, do qual, transmite-se diretamente para o vinho, com notas salinas e metálicas.

O clima dos Açores é marítimo, húmido, fresco e ventoso, com influência direta do oceano Atlântico. Apresenta:

- Temperaturas amenas: com pouca variação térmica (invernos suaves, verões frescos).- Humidade elevada: Devido à proximidade do mar e precipitação regular.- Brumas frequentes: causam insolação e a mantem a frescura.- Ventos fortes: transportam sal do mar e afeta diretamente o desenvolvimento da videira.

A viticultura nos Açores desenvolveu uma paisagem vitícola única e adaptada às condições adversas. Esta apresenta-se em “currais” em “lajidos” ou em “Biscoitos”. Os “currais”, pequenos muros de pedra solta, dispostos em quadrículos, protegem as videiras dos ventos e do sal do mar. As videiras crescem quase ao nível do solo, de modo a ficarem protegidas do vento.

Em resumo, todas estas condições tornam os vinhos dos Açores únicos, moldados pelo terroir vulcânico, clima atlântico e tradição antiga, destacando-se entre os vinhos mais distintos do mundo, com alta acidez, frescura, mineralidade e notas salinas.

Atualmente, a realidade da viticultura nos Açores difere muito do que se observava em 2004, aquando da classificação da UNESCO. Em 2004 existiam apenas 2 Agentes Económicos, com 2 marcas comerciais e 15 mil litros de vinho certificado e a área de vinha com castas aptas a certificação nem chegavam aos 200 hectares. Hoje, nos Açores, existem cerca de 1100 hectares de vinha homologada, 34 Agentes Económicos (em 5 ilhas dos Açores, sendo a maioria no Pico), 93 marcas repercutidas em 159 referências comerciais e 407 mil litros de vinho certificado em 2024.

CVR Açores – Comissão Vitivinícola Regional dos Açores

Na Ilha Terceira, onde ocorreu a Expo Altantic Terroir, no passado dia 4 a 6 de abril, encontram-se 6 Agentes Económicos: Adega Coo perativa dos Biscoitos, Anselmo Mendes Vinhos, Luís Vasco Cunha, Sandro Mendonça, Dimas Pires e Casa Agrícola e Vitivinícola de Rui Martins Lda.

A área de vinha apta a certificação apresenta 28,24 ha, dos quais 22.45 ha aptos a DOP Biscoi tos e 5.79 ha de área apta a IGP Açores. Da área DOP Biscoitos 19 ha são de Verdelho e 3.32 ha Arinto dos Açores. A área IGP Açores apresenta 20 castas diferentes, desde Merlot, Syrah, Cala doc, Riesling e Fernão Pires. Estas áreas estão distribuídas por 80 viticultores

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