J osé Arruda, secretário-geral da Associação de Municípios Portugueses do Vinho (AMPV), sublinha o crescimento da associação, o papel estratégico dos Açores no setor vitivinícola nacional e a valorização do enoturismo como motor de desenvolvimento dos territórios. Com oito municípios açorianos já associados e mais adesões previstas, a AMPV reforça a integração das ilhas na sua estratégia nacional, reconhecendo a singularidade dos vinhos açorianos e o valor do património cultural e natural da região.
Como define atualmente a AMPV?
A AMPV nasceu em 2007 com o objetivo de defender, promover e valorizar os territórios do nosso país com tradição vitivinícola. Entendemos que o vinho e o enoturismo são áreas estratégicas para o nosso país e, por isso, pretendemos agregar os municípios que têm potencialidades nestas áreas e, em conjunto, desenvolvermos projetos e ações que valorizem e promovam todo o potencial endógeno dos territórios cuja economia, cultura e identidade histórica estão fortemente associadas ao vinho. A Associação é reconhecidamente, pela sua dimensão e dinâmica, uma voz ativa, cá dentro e lá fora, na defesa e promoção dos territórios vitivinícolas. O enoturismo, o mundo rural e a gastronomia têm sido áreas nas quais mais temos apostado nos últimos anos, em estreita parceria com a Associação das Rotas dos Vinhos de Portugal. Temos diversificado muito as nossas áreas de trabalho: além do vinho, temos o enoturismo, a gastronomia, os azeites, os museus, o mundo rural, etc. A base de todo o nosso trabalho é valorizar o território, aquilo que é único em cada região, em cada município. Esse é o grande desafio: valorizar e promover a diversidade dos nossos vinhos, a riqueza de cultura e tradições, a excelente gastronomia, os azeites únicos, um espaço rural cheio de potencialidades.
Quais têm sido as grandes conquistas da Associação nos últimos anos?
Ganhar dimensão tem sido uma das grandes conquistas. Temos crescido imenso em número de associados nos últimos cinco anos. Somos atualmente uma rede com 145 municípios associados e o nosso objetivo é chegar ao fim do ano com metade dos municípios portugueses integrados na associação. Outra conquista tem sido a implementação e consolidação de projetos de âmbito nacional que têm valorizado de forma muito efetiva os territórios. Nós temos secções próprias, dentro da AMPV, que trabalham outras áreas importantes do nosso mundo rural, além do vinho, como por exemplo, a gastronomia, os azeites ou os Museus do Vinho. Temos eventos e projetos consolidados, que vão ao encontro da valorização dos nossos territórios e que envolvem uma participação muito expressiva dos municípios, como a eleição da Rainha das Vindimas de Portugal, o Dia Mundial do Enoturismo, o Concurso enológico Cidades do Vinho, o Festival Nacional da Canção Rural ou a Rede das Freguesias.
Quantos municípios açorianos fazem atualmente parte da AMPV?
A AMPV tem neste momento 8 municípios açorianos como associados e representam 5 ilhas. Neste momento temos a intenção de adesão do Município da Calheta na ilha de São Jorge. Mantemos contactos também com o Município de Velas para a sua adesão à AMPV. Assim com estas Adesões ficaremos com 10 município e 6 ilhas. Teremos todos os municípios dos Açores com produção vitivinícola e com Territórios Vinhateiros associados.
Considera que os Açores estão devidamente representados na estrutura e atividades da AMPV?
Sim, a adesão e o interesse dos municípios açorianos em pertencer à AMPV tem sido crescente. E tem sido também muito interessante desenvolver aqui neste território tão único iniciativas nossas. No ano passado fizemos uma grande ação internacional em diversas ilhas do arquipélago, em colaboração com a Iter Vitis. Este ano tivemos aqui no Pico o nosso Concurso Enológico Cidades do Vinho. E os Açores estão a concorrer à Cidade Europeia do Vinho 2026. Isto demostra como é importante valorizar e promover este território.
Há planos para reforçar a integração das realidades insulares na estratégia nacional da associação?
A candidatura dos 8 Municípios dos Açores a Cidade Euro peia do Vinho 2026 e a realização nos Açores do V Concurso das Cidades do Vinho veio reforçar as nossas iniciativas no arquipélago dos Açores.
Que potencial vê no setor vitivinícola dos Açores em comparação com outras regiões do país?
Nós temos um setor do vinho muito forte e dinâmico, em praticante todas as regiões. E os Açores não são exceção. Produzimos cada vez mais vinho, com cada vez mais qualidade, fruto também da crescente modernização e qualificação do setor. Por outro lado, temos um património muito rico, desde adegas, museus, quintas, temos tradições que vão passando de geração em geração, temos paisagens lindas, temos mar, temos rio, uma grande diversidade de norte a sul do país e aqui nas ilhas. E temos pessoas cada vez mais qualificadas a investir nesta área, a criar espaços de enoturismo que proporcionam experiências diferentes e diferenciadoras. Aqui nos Açores temos a história associada à produção dos vinhos, em chão de lava. E no Pico temos a paisagem vinha teira classificada de Património mundial da UNESCO. Esta paisagem única permite uma oferta enoturística diferenciado que faz dos Açores um destino ainda mais interessante.
Que particularidades vitivinícolas dos Açores considera mais relevantes ou diferenciadoras?
Os Açores são reconhecidos no mundo. A herança e o património natural e cultural associado ao vinho que os Açores preservam, nomeadamente o Pico, com as suas vinhas classificadas pela UNESCO como Património da Humanidade. Os Açores têm enormes potencialidades, as quais, na minha opinião, têm vindo a ser aproveitadas por todos os agentes que operam na região. É um setor vivo e muito dinâmico, que já deu provas de ser muito resiliente e de conseguir ultrapassar dificuldades.
A produção nos Açores é, em geral, de pequena escala. Isso é um obstáculo ou uma oportunidade para o posicionamento da região?
Claramente que não. Quem trabalha neste setor são pessoas que gostam verdadeiramente dos seus territórios. E Portugal tem condições muito favoráveis à vitivinicultura e também ao enoturismo, por isso, a área dos vinhos e do enoturismo têm vindo a ganhar muita visibilidade e acredito que o futuro irá continuar a ser muito favorável para esta área. As particularidades únicas desta região, dos seus vinhos, da sua oferta eno turística são mais-valias que só enriquecem o arquipélago. É caso para dizer que o que mais importa aqui não é a quantidade, mas sim a qualidade.